Aceito encomendas de pinturas e desenhos. Entre em contato pelo e-mail: semacucar-porfavor@hotmail.com

Mostrando postagens com marcador desabafo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador desabafo. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Náufrago


 Eu não tive uma semana fácil. Primeiro houve uma tempestade e não consegui definir o que eu sentia. Depois houve uma nuvem que embaçou minhas lembranças. Tudo o que eu tenho daqueles dias infelizes são as marcas. Elas estão em mim até hoje.
 Tenho que me lembrar a todo momento que estou tentando curar feridas e não abrir novas.
 Na segunda, eu extrai dois dentes do siso. Da terça em diante foi ladeira abaixo. Eu tive dor, febre, inflamação, fraqueza de tanto tomar apenas sopa por causa da cirurgia, e até vomitei na casa da minha amiga.
 Domingo eu decidi voltar a comer alimento sólido. Foi então que tive outro daqueles momentos. Aqueles "cliques”, quando você está se deixando levar pela maré e subitamente é despertado. A última vez que tive essa sensação, foi quando dormi na casa de uma pessoa muito, muito suja. Eu me senti mal em meio à bagunça e falta de higiene. Fiquei pensando em como eu sobreviveria se ficasse perdida em uma floresta, já que estava difícil suportar ao caos daquela casa. Bom, depois de apenas três dias na sujeira, voltei para meu lar e me entreguei ao choro. Tomei um banho, comi um prato de comida e agradeci a Deus por tudo o que eu tinha! Uma cama limpa, uma casa organizada, onde dava pra ver o chão que eu pisava, comida limpa e fresca. Parece pouco, parece simples, mas eu só fui dar valor a essas coisas quando me abstive delas e depois retornei. Eu agradeci! Agradeci pela vida que tenho, pela mãe atenciosa e boa ouvinte, a casa, o sustento, tudo. E neste domingo, quando voltei a comer alimento sólido após uma semana apenas ingerindo líquido, eu tive a mesma sensação de gratidão. Uma ação tão simples: levantar o garfo. Agradeci a Deus por ter forças para trazer a comida até a boca, agradeci por ter uma boca, agradeci pelos dentes que me permitem mastigar. Assim eu posso sobreviver.
 Semana passada eu recebi muitos abraços fortes. Não seria exagero dizer que nasci de novo. Percebi que nossas atitudes não afetam apenas a gente, mas respigam naqueles que estão mais próximos e que mais nos amam.
 Hoje, quando ouço o som da sirene de uma ambulância, fico feliz por não estar dentro dela.
Eu ainda não voltei a desenhar- algo que amo muito-, mas já voltei a dançar e a cantar. Meus dias estão mais leves, porque sei que o sol sempre vai nascer de novo amanhã. Eu terei outra chance. Tenho apenas que aproveitá-la.
 Não acredito em “destino”, acredito em propósitos. Nós estabelecemos alvos e temos que nos esforçar em alcançá-los. No meio de tudo isso está o imprevisto. E o imprevisto me trouxe pessoas, o imprevisto me trouxe paixões, o imprevisto me deu uma família; note que são coisas que não pude escolher, pois foram dadas a mim. Mas há algo que posso controlar. Selecionar quem serão meus amigos, estar determinada a não alimentar paixões bobas e passageiras, e suportar aqueles que convivem comigo (Há coisas em que não se pode fugir).
 Acabei de assistir ao filme Náufrago. Todos os filmes do Tom Hanks são ótimos! Eu já amava este e me lembro de ter assistido na infância. Meu corpo é o mesmo, o filme é o mesmo, mas desta vez eu tive a capacidade de entender e apreciar com outros olhos. Agora eu tenho 18 anos e o filme não é mais apenas a história de um homem que ficou preso sozinho numa ilha. É uma lição significativa de gratidão; apreciar o que realmente vale a pena; suportar as dificuldades e aprender a lidar e resolver conflitos; valorizar pequenas coisas; alegrar-se com: a vida, a capacidade de fazer escolhas, realizações pessoais (pequenas ou grandes), a companhia de outras vidas e a liberdade!
 Em uma cena, o personagem diz: “Então, eu peguei uma corda e fui até o topo do penhasco para me enforcar. Mas antes eu tinha que testar, você me conhece. E o peso do tronco quebrou o galho da árvore. Então eu percebi que não podia nem me matar da maneira que eu queria. Eu não tinha poder sobre nada. (...)
Foi quando esse sentimento veio sobre mim, como um lençol me aquecendo.
Eu soube que, de alguma maneira, eu tinha que ficar vivo. De alguma maneira, eu tinha que continuar respirando.
Mesmo sem haver nenhuma razão para se ter esperança.
E toda minha lógica disse que eu jamais veria minha casa de novo.
Então foi o que eu fiz... eu continuei vivo. Eu continuei respirando.
Minha lógica se mostrou errada, porque a maré veio e me trouxe uma jangada.
E agora aqui estou, de volta em Memphis, conversando com você. Eu tenho gelo no meu copo! Mas minha esposa não me ama mais(...)
E eu sei o que devo fazer agora... Eu devo continuar respirando.
Porque amanhã o sol irá nascer. Quem sabe o que a maré poderá trazer?”
 Realmente, devo me alegrar e agradecer. Os problemas são os mesmos, mas vejo-os com outra perspectiva.
 Enquanto aguardo pacientemente a maré do imprevisto me trazer algo bom, irei usufruir a companhia daqueles que me amam, irei valorizar os pequenos e sutis prazeres da vida, irei continuar respirando.

domingo, 3 de abril de 2016

Poderoso


 Você não sabe a força que tem. A força que tem sobre mim- em meus pensamentos, em meus sentimentos. Meus sentimentos estão em suas mãos; você os envolve e você me envolve, mas você não sabe a força que tem. Eu constantemente peço-lhe que não os aperte e os machuque, pois fazia tempo que eu não os entregava a alguém. E agora estão contigo. No fundo, eu nunca quis dar-lhes. Eu sempre quis protege-los deste mundo.
 Você chegou calmo depois de que há muito tempo não chovia, não havia tempestades. E a cada vez que chegava, pegava-me desprevenida. Atingia sem eu perceber um por um: minha alegria, minha preocupação, meu senso de justiça, meu humor, minha paixão.
 Agora me dei conta; olhei dentro de mim e vi seu reflexo. Como faria para lhe tirar dali? Eu não sei. Eu chorei. Fui alertada várias vezes que deveria tomar cuidado; fui avisada até mesmo por você que, quando olha para dentro de si, você já tem alguém refletido, que não seria eu, não poderia ser eu, nunca irá ser eu.
 Eu tentei te ignorar, eu tentei viver a vida. Tentei gritar, de forma silenciosa, de que não preciso de você. E realmente não preciso, mas sinto saudades.
 Este é um conflito interno que você não sabe a força que tem.
Lívia Grassi

Juntando os cacos


 Por onde eu começo? Pelo dia que te conheci ou pelo dia que errei em deixar você me conhecer?
 É engraçado pensar como vim parar aqui, sendo que, por tanto tempo eu venho tomando cuidado como nunca antes. Eu paro para pensar em você várias vezes ao dia, mas você sequer pensa em mim em algum momento do seu dia.
 Eu devo ser um jogo delicioso para você jogar, pois você não para de brincar comigo. Devo ser isso, então, um passa tempo. O problema é que sou seu passa tempo preferido. Eu só me pergunto quanto tempo a mais você quer que isso dure, porque não acho que tenha futuro. Mas sinto que você está trabalhando no solo do meu coração, de forma inconsciente, talvez porque lhe é conveniente, mais para frente.

 Isso tudo está me afetando de tal forma que sinto como se estivesse atuando. Atuando sorrisos, atuando risadas, atuando cumprimentos. Sendo que na minha mente, eu só penso em você. Ocorre uma guerra das quais nunca ocorreu antes. É um conflito interno, ou como você diria “um dilema”, que se encontra em mim. Eu estou tentando viver como se você nunca tivesse acontecido, aparecido e levado minha razão embora. Eu não sei como você consegue atuar tão bem; no seu dia a dia fingir que nada tem acontecido.
 Eu prometi a mim mesma que não iria chorar, mas simplesmente não consigo. E você simplesmente não ligaria se soubesse que é o motivo das minhas lágrimas. Isso dói; mas eu vou sobreviver. Só queria me desligar de você da mesma forma que se desligou de mim.

 Às vezes eu entro no banho e espero que você vá embora de mim com a água que escorre do meu corpo para o ralo. Não estou tendo paz ultimamente. Isso tudo me machuca, mas é como se eu não me importasse mais. Ficar com alguém não deveria ser difícil assim. Se estiver se tornando complicado é porque não é pra ser.
Eu não enxergo futuro nisso, mas não tem sido o suficiente para eu me desviar de você. Eu olho em volta e, ora penso o quão tola as pessoas acham que eu sou, e ora penso como não tenho sido uma boa companhia para elas.
 Você me afetou tanto. Como não te afeto? Eu me expus tanto. Como você não se entrega?
Lívia Grassi

sexta-feira, 25 de março de 2016

John(s)


O que eu aprendi com os John(s):
* Quando se ama uma pessoa, você faz o que for necessário para vê-la feliz; até mesmo se afastar. Como dizia o John Lennon: "Amo a liberdade, por isso deixo livres as coisas que amo. Se elas voltarem é porque as conquistei. Se não voltarem é porque nunca as possuí."
* E como concluiu outro John (Green): "Não dá para escolher se você vai ou não vai se ferir neste mundo, meu velho, mas é possível escolher quem vai feri-lo. Eu aceito as minhas escolhas".
Você aceita as suas?

quinta-feira, 17 de março de 2016

Me desculpe


 Neste momento, eu estou sem me alimentar há muitas horas. Talvez seja a falta de açúcar no sangue, talvez sejam as ofensas e maus tratos que recebi durante este dia, ou talvez seja simplesmente a falta que sinto de você.
 Eu, por meio desta carta, peço que me perdoe, por favor.
 Eu passei noites chorando, querendo saber o que seria melhor pra nós dois. E eu sou imperfeita, não sei se tomei a melhor decisão ao sair da sua vida abruptamente, de repente. Não sei quanto a você, mas eu sinto que me arrancaram um membro.
 É tolice, eu sei... É tolice se apegar à alguém que você mal conhecia. Mas a conexão e eletricidade entre nós era inquestionável.
[...] Pausa para soluçar em meio às lágrimas [...]
 Eu nunca, nunca mesmo, quis te magoar. Mas acabei ferindo à você e a mim por falhar tantas vezes. Maus entendidos, sentimentos que eu não deveria ter deixado crescerem em mim- o acúmulo de tudo isso me sufocou.
 A culpa não foi sua. A culpa foi do meu coração traiçoeiro. Mas ainda bem que eu percebi a tempo e decidi me afastar. Sei que não será fácil manter minha decisão, mas eu sinto que preciso estar determinada a fazer isso para o seu bem. Eu sempre visei o seu bem.
 Acho que nunca senti nada tão intenso quanto estou sentindo agora. E eu não queria sentir; por que eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, poderia crescer e se consolidar dentro de mim.
 Por este motivo, decidi me afastar para não atrapalhar e confundir mais você. Melhor cortar o mal pela raiz, e meus olhos se abriram enquanto ainda era cedo. Desse modo, acredito que será menos doloroso.
 Você foi- e acredito que sempre será em meu coração- meu melhor amigo. Espero que nossa ligação nunca se quebre e nunca se perca com o tempo.
 Às vezes, o tempo ajuda... Amadurece, esclarece coisas que estavam embaçadas. E, se o tempo permitir, desejo de toda a alma te reencontrar e olhar em seus olhos... para admitir a mim mesma que não acabou. Que você continua o mesmo. Meu gêmeo, metade da minha laranja, meu amigo e meu irmão.
 Que a nossa conexão nunca se acabe. Você estará sempre em minha cabeça; não importa para onde eu olhe ou o que eu faça, sempre me lembrarei de você. Espero não desaparecer da sua memória. Pensamentos e falas iguais.
 Puxa... Nunca tive uma amizade assim.
 Foi um privilégio enorme- na verdade, imensurável- te conhecer! Acredito que isso só acontece uma vez entre um bilhão.
 Você é realmente especial, e nem imagina o quanto! Você tem muito a oferecer ao mundo e às pessoas que tem a honra de conviver com você. Gostaria de ser uma delas. Quem sabe um dia?
 Valorize-se; você é diferente dos garotos de sua idade- e continue assim, por favor. Não ceda à pressão! Lembre-se sempre de se mostrar grato ao seu Criador. Eu agradeço a ele todos os dias por ter me dado você de presente.
 Por favor, mantenha-se firme na verdade. Dê prioridade para as coisas mais importantes. Use bem o seu tempo! Procure se esforçar em adquirir boas qualidades e amadurecer cada vez mais. Você nunca se decepcionará e tenha certeza de que será muito recompensado!
 Meu maior medo ao me afastar era não acompanhar o seu progresso. Mas eu confio que Deus cuidará de você bem melhor do que eu poderia fazer. Portanto, confie totalmente nele! Entregue sua vida à ele; e assim você não terá arrependimentos e será protegido de coisas terríveis.
 Minha maior preocupação é te perder para o "mundo". Por favor, fique firme! Você sabe que está no caminho certo. Agarre-se ao verdadeiro conhecimento que levará à sua salvação. Ocupe-se em fazer a vontade de Deus, na companhia de pessoas maduras que te incentivarão a fazer o que é correto, e somente assim você será feliz. Não quero jamais que você se sinta vazio, quero que seja completo e capacitado em todos os sentidos.
 Eu vou explicar o motivo de eu ter decido me afastar: Estava doendo demais. Talvez os hormônios ou o fardos que eu tenho que suportar em casa tenham me deixado confusa. Ou talvez seja algo real.
 O fato é que eu espero que passe. O tempo pode curar qualquer ferida. Tanto a sua quanto a minha.
 Como você mesmo disse uma vez: "Isto não é um adeus, e, sim, um até logo".
 Portanto, com uma imensa dor no coração, eu digo à você, abiguinho: "Até loguinho!"
 Obs.: Me perdoe por ser tão intensa e ter me entregado demais nessa relação. Não sei se a intensidade é recíproca. Talvez eu esteja fazendo papel de tola e me constrangendo cada vez mais.
 Mas, eu realmente gostaria que você soubesse que foi uma experiência única em minha vida ter tido a mísera chance de ter te conhecido. Um privilégio de poucos.
 Lamento muito ter te magoado e decepcionado. Bagunçado sua vida e mexido com seus sentimentos. Eu não sei se vou conseguir me perdoar... Você é a última pessoa do mundo que eu quero ver sofrer. Você não merece e isso não é justo.
 Também peço perdão por ser tão intensa, sentir demais, sofrer demais, querer demais. Eu preciso e vou melhorar nisso.
 Olha... Eu definitivamente aguardo a oportunidade de poder te rever algum dia no futuro. Seria um privilégio inestimado.
 Me desculpe por ter saído da sua vida, mas lembre-se que foi por um bem maior. E muito, muito obrigada por ter entrado na minha!
 Despedidas não são fáceis. Mas lembre-se da lua... Ela é fiel e nunca falha em aparecer todas as noites; mas temos que nos despedir dela todo santo dia para poder nos reencontrar depois. E temos a certeza de que teremos a presença dela. Fique tranquilo; conosco será a mesma coisa.
 Dizem que a fase mais escura da noite é pouco antes do amanhecer. Então, esse período vai passar. Logo o dia vai amanhecer, o sol vai raiar, você seguirá seu caminho e espero que seja muito iluminado. Tudo vai passar! (Pensar assim é um consolo até para mim!)
 Continue fazendo sua querida mãe sorrir, e eu sorrirei junto. Continue agradando ao nosso Deus, e eu poderei ter paz.
 Não desista de Jeová Deus nunca, por favor, lhe suplico! Isto significa vida para você e, consequentemente, para mim que me preocupo tanto com você.
 Nossa amizade foi a coisa mais bela e valiosa que eu poderia ter tido. Que ela nunca murche ou morne. Apenas pause; porque está sendo difícil pra mim assimilar tudo isso.
 Para finalizar... Entre suspiros, eu escrevo: Que sua vida seja abençoada e satisfatória! Eu desejo a você plena felicidade e proteção. Gostaria de fazer parte da sua felicidade. Bom, espero ter colaborado para sua felicidade pelo menos um pouquinho.
 Um dia, no futuro, vamos olhar para trás e concluir que tomamos a melhor decisão, tomando uma bela xícara de chá.

Leia também: Lua

sábado, 5 de setembro de 2015

Lua


“Sabe no que eu estava pensando?”, disse ela, “Toda noite nós podemos ver algo que existe há bilhões de anos. A lua é fiel; não falhou em aparecer uma única vez. É emocionante pensar que podemos apreciar algo que já foi contemplado por inúmeras pessoas. É como se eu pudesse ver uma antiga e íntegra peça de museu, que me faz perder a noção do tempo- porque ela mesma sobreviveu ao tempo. Estoura a guerra, acaba a guerra; uma geração vem e outra vai, mas ela sempre está ali. E não importa onde eu esteja, sei que posso enxergar a mesma coisa que você, ao mesmo tempo. Isso nos aproxima do resto do mundo!”

“Ao mesmo tempo”, garantiu ele.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Sacanagem!



MAIS UMA VEZ A VIDA ME SACANEANDO!!
 Vocês acreditam que depois de eu escrever aquele texto sobre a minha ADMIRAÇÃO pelo garoto da minha escola, eu tomei coragem e mandei pra ele os links, rezando pra ele não me zoar pelo resto da vida, quando eu vi que já tinha trocado mensagens com ele. Mas, peraí... Eu não conheço ele; como isso é possível? DAÍ EU FUI NO INÍCIO DA CONVERSA E MEUDEUS DOCÉUVOCÊSNÃOVÃOACREDITAR EU JÁ CONHECIA O MENINO! AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! Inferno de vida!
 Isso sempre acontece comigo. É a segunda vez que eu vou falar com um cara pelo facebook, acreditando ser a primeira vez, quando percebo que já o conhecia. OBRIGADA, UNIVERSO!
 Não apenas estou roxa de vergonha, estou com depressão. Vou me mudar da escola depois dessa.
 AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAFF! Eu mereço? Mereço! Quem manda pagar pau pra um desconhecido? Nem desconhecido ele é.
 '-'    Vou lá no banheiro vomitar, depois eu volto.

 Posts relacionados: http://semacucar-porfavor.blogspot.com.br/2014/05/lego.html
http://semacucar-porfavor.blogspot.com.br/2014/02/o-garoto-nada-especial.html

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Pior dia da minha vida


 Olá, pessoasquecomcertezanãopassaramoqueeupassei!
 Há muito tempo pretendia escrever sobre o pior dia da minha vida aqui, mas eu... Tô com preguiça de arrumar uma desculpa.
 O pior dia da minha vida não foi quando minha avó ou meu avô morreram (em datas diferentes, e eles nem eram da mesma família)- não que eu não me importe com meus avôs... PERAÍ! PAUSA PRA CONTAGEM! TODOS MORRERAAAAAAM! Pensei que tinham sido só dois, mas foram todos!
 Engraçado eu ter mencionado isso, porque meu pior dia começa com um enterro. De uma avó. Coincidentemente os assuntos estavam ligados.
 Eu... não me lembro que ano foi; acho que em 2011. Tinha acabado de voltar da escola e estava tirando a roupa suja, meu tio e minha mãe estavam conversando na cozinha, eu acho, sim, estavam. Desculpa, gente! Mas vocês têm que levar em consideração que eu tenho traços de alzheimer. É até engraçado, desculpem, mas eu tinha acabado de ouví-los comentar sobre como minha avó havia melhorad... Ok, não é engraçado! Eu não devia ter dito isso. PERDÃO! Eles tinham acabado de comentar como minha avó tinha melhorado quando o telefone tocou e minha mãe recebeu a notícia de que minha avó havia falecido. Daí ela começou a chorar, o que é um porre. Logo depois me informaram que teríamos de ir ao enterro que seria em outra cidade, Casa Branca/ SP, terra natal dos meus avós e pais. Fiquei morrendo de raiva porque eu estava cansada e não queria viajar. Neguei. Neguei. Neguei. Mas não adiantou; dois tios meus me convenceram a ir. São duas horas e meia de viagem. Eu informei a minha mãe de que eu não estaria presente no enterro porque estava com cólica- de fato- e ela argumentou que poderia não ser muito higiênico uma menina ir a um cemitério "naqueles dias". Então eu simplesmente fiquei na internet na casa de outros tios que moram lá.
 Agora eu sei porque não escrevi sobre isso antes.
No dia seguinte, enquanto estávamos voltando para casa de carro, uma blitz- não sei bem se era uma blitz, sei lá- na estrada parou nosso carro e o policial viu que os documentos do carro não estavam em dia - meu pai fez o favor de não pagar. Maravilhoso- e o carro foi apreendido. AAAAAAAAAAAAAAH! MINHA MÃE DEU O DINHEIRO PRA ELE! O QUE ELE FEZ COM O DINHEIRO?! Meus pais estavam se separando pela milésima vez. Nós apenas atravessamos a estrada e fomos para uma mini delegacia que tinha na margem e, mesmo minha mãe explicando a situação e mostrando o atestado de óbito da minha avó, eles não nos quiseram ajudar. Tínhamos que arrumar carona. Minha mãe estava tão deprimida, desesperada e doente- se é que você me entende- que não conseguia fazer nenhuma ligação. Eu, como sempre, tomei a frente de tudo; os policiais me emprestaram o telefone e eu liguei para uma tia que também havia ido ao enterro e morava perto de nossa casa. Eu expliquei a situação e pedi educadamente ajuda; ela disse que estava na estrada e não tinha espaço no carro e, do nada, começou a gritar comigo e a xingar minha mãe; eu não aguentei e desliguei na cara dela. Não podemos contar com a família. Não sei vocês, mas eu nunca pude contar meus familiares. Então, no desespero, minha mãe e eu pegamos carona com um caminhoneiro gorducho- O QUE É, NÃO SEI SE VOCÊS REPARARAM, SUPER PERIGOSO! Ele poderia nos estuprar, sequestrar, matar, esfaquear. Costumam dizer que caminhoneiros são nojentos-; meu irmão e um tio que nos acompanhava no carro ficaram na estrada esperando outra carona.
 O caminhoneiro gorducho não era do mal. Graças a Deus. Ele era até legal; nos falou sobre as filhas que tinha. Infelizmente ele não pode nos levar até nossa casa porque o caminhão dele não ia exatamente entrar na cidade. Ele disse que era um caminhão muito grande com uma carga muito pesada e esse tipo de veículo não passa dentro da cidade. Então, ele nos deixou na entrada da cidade e disse que sentia muito por não poder nos ajudar mais. Nós estávamos em um bairro muito perigoso- sério- em que nós nunca estivemos antes. Estava de dia mas mesmo assim dava medo. Eu me lembrei que tinha uma prima que morava por ali - sim, eu tenho uma grande família-, deu o maior trabalho pra encontrar o número dela e pra achar área pra fazer a ligação, mas eu consegui. Sucesso. Mas, como eu já havia dito, ninguém quer ajudar ninguém. Apesar de terem dois carros, eles não puderam ir nos buscar, mesmo que uma tempestade se aproximava. Então eu, P DA VIDA, MUITO P DA VIDA, andei com minha mãe para um local onde parecia ser mais seguro, porque antes só víamos mato e drogados. Encontramos umas casas bonitas e ficamos lá, rezando. Nós ligamos para o Moto Táxi nos levar para casa, mas o cara disse que ia demorar porque a gente tava na PQP... Você sabe. E ele realmente demorou.
 Estávamos derretendo, minha mãe e eu, debaixo de sol em um bairro barra pesada desconhecido, quando vimos duas mulheres com uma criança na calçada. Minha mãe se aproximou e pediu que a moça nos ajudasse porque estávamos com medo, e a moça gentilmente nos deixou entrar mas, nesse momento, aparaceu um moto táxi. Exatamente, UM moto táxi. Minha mãe havia pedido dois, mas tudo naquele dia estava dando errado mesmo. O homem disse que o colega dele havia se perdido no caminho. Eu disse que estávamos no fim do mundo. Fiquei esperando na casa da mulher desconhecida até o moto táxi que levou minha mãe, voltar. A sala estava repleta de brinquedos e na TV passava um programa infantil muito legal. As mulheres eram mãe e filha e me disseram que eu poderia ficar quanto tempo precisasse porque aquele bairro era mesmo perigoso e eu não poderia ficar na rua. Ás vezes, estranhos são mais legais com você do que sua própria... você sabe. Enquanto esperava fiquei pensando em como meu dia havia sido péssimo e em como estava exausta. Quando o moto taxista voltou, as moças me perguntaram se eu o conhecia bem e se era seguro seguir com ele, eu disse que sim, mesmo não sendo.
 E não acaba por aí. Durante todo o dia eu fiquei super preocupada com meu irmão e tio, que estavam sem segurança nenhuma na estrada. Mas eles chegaram em casa antes de nós.
 No fim, eu apenas disse pra minha mãe: Você devia ter me escutado! Eu avisei que não deveríamos ter ido.

BÔNUS EXTRA DA DESGRAÇA:
 Alguns dias depois, minha mãe e eu fomos na casa daquela minha tia que não quis pôde nos dar carona e ela disse que era um absurdo eu não ter estado presente no enterro da minha própria avó e começou a gritar comigo e a xingar minha mãe dizendo que ela estava fazendo um péssimo trabalho. Eu, novamente não aguentei, virei as costas e saí de lá chorando- porque é horrível chorar na frente dos outros, principalmente quando esse "outro" está te xingando- e minha tia disse: "Alá! Desligou na minha cara, agora me deixa falando sozinha!"

domingo, 6 de abril de 2014

A Culpa é do Meu Estômago


Eu estava prestes a iniciar o enterro do Gus, quando meu celular vibrou ao meu lado.
“Tem planos pra hoje?”
Dona de lindos cabelos cacheados, Amanda- uma garota muito legal, com quem eu queria realmente ter amizade-, me convidou pra ir ao shopping bater perna porque ela queria comprar um livro. Não que eu tivesse dificuldade pra fazer amigos; pelo contrário, eu tinha muitos, mas péssimos. Deve estar se perguntando como sei que ela seria diferente e porque a julguei prematuramente uma boa amiga. É porque ela está separada, assim como eu, da imundice desse mundo e não segue os padrões rebaixados do mesmo.
 Eu estava com o cabelo todo ensebado, olhos inchados e vermelhos de tanto chorar, parecendo um sapo, deitada no sofá lendo “A Culpa é das Estrelas”, quando recebi o convite. Hoje eu acabo de vez com esse livro, pensei. Mas meus planos mudaram quando recebi a mensagem, que veio em boa hora, pois eu precisava mesmo ir ao shopping comprar um suplemente vitamínico pra Wendy, minha tartaruga- isso não vem ao caso.
Ás dezenove e meia em ponto, ela tocou o interfone. A viagem para o mais novo shopping da cidade não foi tão longa levando em conta que ficamos batendo papo no carro. Quando o pai dela estacionou e ela desceu, fiquei esperando que ele descesse também. O pai dela é muito legal e já se tornou um grande amigo. E a viagem até o shopping é muito longa para apenas uma carona, por isso presumi que ele fosse conosco. Mas não.
 Esqueci de dizer: Dentro do carro perguntei à ela que livro ela tinha em mente comprar, e ela respondeu “A Culpa é das Estrelas”. Contei, empolgada, que eu estava terminando exatamente esse livro quando ela me chamou pra dar uma volta e que é muito bom, e que ela vai chorar muito, e amar e amar e amar.
 Bom, retomando, entramos na livraria e demos de cara com o tal livro do John Green; ela estava muito indecisa sobre comprar ou não, mas eu a convenci. Logo peguei “Destrua Esse Diário”, que sempre achei muito interessante, mas assim que vi meus 19 reais sendo rasgados, amassados e pisados, figurativamente, fiquei indecisa sobre comprar. Antigamente eu pensava que o “Destrua Esse Diário” era um livro que continha uma história, e eu não entendia porque ele era tão famoso se eu nunca sequer vi uma sinopse. Quando descobri que ele instruía seu dono a, literalmente, o destruir, eu achei a ideia muito boa e libertadora. Deve ser bom pra pessoas tímidas e retraídas se soltarem. Eu sabia que, assim que o comprasse, estaria assumindo um compromisso invisível de cumprir todas as instruções do que devia fazer com ele.  Mas, porém, entretanto, eu também não queria “jogar meu dinheiro fora” e, acredite, tem muitos cupcakes por aí, esperando para serem devorados por mim, tendo como última visão meu dinheiro sendo queimado por eles, antes da mordida fatal. Claro que Amanda retribuiu meu incentivo, e também que convenceu a comprar o livro.
 Saindo de lá, passamos por um corredor muito movimentado e procuramos nos informar. Que exagero dizer que procuramos nos informar, nós apenas lemos uma placa em que dizia: “Experiência Escher” e entramos. Havia me esquecido que ainda estava tendo aquela exposição e fiquei com um sorriso de orelha a orelha por não ter perdido nem passado reto. Quadros ilusionistas e psicodélicos maravilhosos. Desenhos que observei de perto para crer que foram mesmo feitos a caneta. Vocês nem imaginam como é difícil desenhar a caneta. Acho que nunca, jamais, serei capaz de reproduzir tantos detalhes e aquela arquitetura perfeita. O tempo todo fiquei pensando: “Veja as coisas que o homem é capaz de fazer”.







O que mais gostei foi Metamorphose, abaixo. Se tiver como vocês aumentarem, ou verem outra imagem dessa obra, seria muito legal. Faz parte de um quadro só, em sequência.

Logo depois tiramos fotos nos gigantes cenários psicodélicos e inteligentes de Escher: Em um, parecíamos cair em um buraco sem fim (perdoem minha descrição limitada); em outro, com ilusão de ótica, a pessoa que se localizava em um canto da sala ficava gigante, enquanto a outra, do outro lado, ficava minúscula. Pelo menos uma vez em minha vida, senti o prazer de ser “alta”.



Fui á uma loja de animais ridiculamente enorme, em busca do complexo vitamínico da minha tartaruga, que vive doente, mas não tinha. Achei absurdo terem tanto espaço, tanta coisa, e não o necessário. O meu necessário. O necessário da Wendy.
 Procuramos um lugar legal pra comer e paramos em uma loja com um cardápio convidativo a qualquer ser humano com a capacidade de enxergar, mas completamente não-recomendado para diabéticos. Decidimos pedir um sandae, o meu tropical e o dela, frutas vermelhas. Nos sentamos nas mesinhas que se encontravam do lado de fora do shopping, cercado apenas por vasos de plantas, sem nenhuma cerca ou marcação definitiva; o local era tão pequeno que acho que só havia três mesas com guarda-sóis inúteis (pois estava de noite) e, além de nós, apenas uma família se encontrava lá. Uma pena não ter outras mesas dentro do shopping, porque fora do ar condicionado, estava um forno. Tivemos longas conversas e vi que temos muito em comum. Eu estava tão envolvida no assunto que nem reparei quando nossos copos (grandes demais, pra ser sincera) recheados de pedaços de frutas diversas com sorvete e cobertos até o topo com chantilly chegaram. Reparei menos ainda quando a tal família foi embora. Rimos de chorar e demos de cara com o clichê que sempre nos é apresentado: “Esse mundo é pequeno demais”, pois descobrimos que eu conheço algumas pessoas que ela conhece. Amigos em comum.
Na volta, me senti aquela criança de 8/9 anos que se inclinava ao máximo para ver as estrelas pela janela do carro- desejei que ninguém me visse olhar com tanta nostalgia as belas lanternas flutuantes, fazendo referência ao filme Enrolados. Uma música do Coldplay tocou suave ao fundo. Não sei que música era, mas todas as músicas deles são boas. Julgo-as perfeitas para estarem na lista das que são tocadas nas lojas de roupas do shopping (Você sabe o quanto é legal vestir uma roupa qualquer em um provador qualquer com uma música bonita que sistematicamente tem que combinar com o ambiente compulsivo pelo qual você sente prazer em estar?). Eu gostaria de ouvir uma música do Coldpay enquanto faço compras compulsivamente.
 Enquanto olhava para a escuridão do outro lado da janela, fiquei pensando em como a vida é engraçada e em como as consequências de nossos atos podem fazer cócegas na barriga: Mais cedo, no mesmo dia, estava eu chorando no meu sofá, deitada confortavelmente, apenas desejando que ninguém mais da casa acordasse para que eu pudesse ler em paz sem o barulho da televisão; bastou um convite feito por SMS para que todo o meu futuro a curto prazo se mudasse drasticamente. Em vez de mais um dia normal e tedioso, lá estava eu fazendo uma viagem a noite (porque, como eu disse, o shopping era muito longe e a gente até passava por estradas). E eu amo viajar a noite. Fiquei pensando em como era legal o fato deu decidir onde eu poderia estar. Depois de tantos anos presa a uma casa onde mal dá pra ver o céu, fico feliz quando me encontro em lugares com o céu aberto.
 Tudo estava tão escuro que nem dava pra ver a divisão entre chão e céu. Aos poucos as luzes da cidade (estraga prazeres) me ajudaram a distinguir a linha do relevo. Passamos por um contorno de árvores perfeitamente enfileiradas em cima de um monte, e as estrelas que enfeitavam a cortina esticada logo atrás tornava mais lindo aquele “quadro”. Estávamos separadas apenas por um vidro de janela de carro, a paisagem e eu.
Chegando em casa, não resisti a tentação e folheei cada página do “Destrua Esse Diário”; eu não queria estragar a surpresa das coisas que terei que fazer, mas pensei “ah, que se dane, amanhã eu esqueço”.
Hoje acordei cedo demais e isso vem acontecendo com frequência. Decidi terminar “A Culpa é das Estrelas”, o que é meio triste, porque não queria que acabasse. O livro me proporcionou por 3 dias uma experiência deliciosa. Dei boas gargalhas e derramei lágrimas amargas.
Não me importei com o que algumas pessoas disseram na escola, me julgando: “Nunca lerei esse livro. Já virou modinha”.  Eu queria ter tido essa experiência. Eu queria saber qual é, afinal, a história da Hazel Grace e do Augustus Waters. Eu queria ser mais uma pessoa que leu o fomoso livro “A Culpa é das estrelas” e não me importava com o que pensavam disso. Confesso que esse desejo cresceu dentro de mim no exato momento em que vi, pela milésima vez, o trailer do filme que estão produzindo a partir do livro. O ator que escolheram pra representar o Gus é extremamente lindo, pro meu gosto, e foi ele quem mais me motivou a ler. Recordo-me que semana passada, quando esse desejo começou a queimar dentro de mim, pesquisei todos os filmes da Shailene Woodley, de quem já me tronei fã, e fiquei ESPECIALMENTE LOUCA pra assistir ao filme “The Spetacular Now”- porém, não encontrei na locadora e aluguei “V de Vingança” e “Gravidade” (Recomendo que assistam aos dois filmes; são de tirar o fôlego e indescritíveis (“V de Vingança” é citado no livro “A Culpa é das Estrelas”)). Não consegui ler imaginando os personagens de outra forma sem que fossem como os vi no trailer. Pude ver, verdadeiramente, o sorriso torto do Gus em cada página representado pelo ator Ansel Elgort, e juro que pude ouvir cada palavra inteligente saindo da boca da Shailene Woodley.
Não consigo ler com barulho. Por isso morro de raiva quando meus vizinhos decidem, sem me avisar, cantar e tocar pagode e soltar fogos de artifício- sem o menor sentido nem data comemorativa. Eu estava lendo as últimas páginas quando soltaram fogos, daí dei um pulo e perdi o ar.
 Sempre que acabo de ler um livro ou de ver um filme no cinema, tenho uma estranha sensação de vazio. Meu estômago começa a revirar e eu fico meio fora do ar, em transe. Isso sempre acontece. Dentro da sala escura do cinema é ainda pior, porque eu fico muito tonta com as pernas bambas enquanto desço as escadas e me agarro nas paredes pra não cair. Bem, eu odeio essa sensação de vazio e perda quando acaba um livro. Odeio.
 Estou me sentindo, particularmente, mal por não ter compreendido com clareza a grandeza dessa obra de John Green. Bem antes de acabar a leitura, eu havia me comprometido a lê-lo novamente, para entender cada expressão e interpretar cada palavra da forma correta.
 Minha análise (de mim, não do livro) agora: Espero que esse nó corriqueiro no estômago passe, e espero me sentir novamente próxima aos personagens dessa história fabulosa que a pouco encerrei. Fiquei feliz por ter me permitido me sentir mais uma jovem que lê John Green e que chora com histórias ficticiamente verdadeiras. “A Culpa é das Estrelas” é totalmente diferente do que eu pensei. Pra ser sincera, não montei uma pré-história na minha cabeça antes de começar a folhear o livro, mas não imaginei a dor e a afinidade que palavras poderiam causar em mim.
 Eu amei.
Amei sentir o que senti.
- Okay, Ansel Elgort, eu aceito me casar com você.
- Okay.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Aquele que eu amo

 Quando criança, ele era muito tímido, sofria nas mãos dos outros, era tolo e ingênuo. Apesar deu ser a caçula, sempre o aconselhei a levantar a cabeça e não permitir que os outros pisassem nele.
 Engraçado. Nunca tive problema com ele na infância; como eu disse, ele era quieto e bonzinho. Sempre muito organizado e responsável. Um garoto exemplar.
 Eu achava que minha paz seria arrancada por outra fonte, não por ele.
 É triste. É triste não reconhecer alguém que cresceu do seu lado, que mudou da água pro vinho. Realmente, não é mais a mesma pessoa.
 Sinto falta das brincadeiras que fazíamos, das piadas que inventávamos, das risadas que dávamos. Ele sempre chegava em casa dançando, cantando, forçando agudos pra me fazer rir. Tínhamos nossa própria linguagem, nossos próprios sinais, nossos próprios olhares, nossas próprias piadas. Éramos muito unidos. Tirávamos sarro dos apresentadores de TV, dos erros dos jornais e das falhas nos filmes.
 Ás vezes, bastava um olhar para caímos na gargalhada.
 Quantas noites passei em claro por preocupação? Quantas vezes liguei pra saber se ainda estava vivo? O quanto chorei por ele, meu Deus?
 O quanto eu o amo ele nem imagina. O quanto sofro por ele, nem faz ideia.
 Só sinto pelo seu futuro, pela sua integridade, pela sua vida e pelo o que está fazendo com ela. Sinto pela sua carne.
 Ainda estou aqui pra você.

segunda-feira, 24 de março de 2014

NÃO DESISTA

 Não serão as doenças, a aflição, a dor,
 A pele que cai, as lágrimas que escorrem,
 O desespero que fica, nem os sorrisos que se vão

 Depois de todo o ocorrido
 E as marcas que ficaram,
 Suspiro em gratidão e
 Insisto na esperança
 Sublime de um pouco de paz.
 Talvez aquela criança feliz
 Algum dia floresça e ressurja.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Let it be

 É duro. Não escrevo textos no Blog há muito tempo e, quando escrevo, são desabafos.
 A vida me golpeia, me deixa marcas roxas, cicatrizes profundas e um nó no estomago.
 Detesto ficar escrevendo isso.
 Vou ter que suportar- Há outra saída?
 Sinto socos no estomago enquanto observo minha paz desmoronar lentamente.
 Rasgar meu corpo não resolveria o problema. Fugir para outra cidade não traria paz.
 Não adianta reclamar, a vida não é fácil pra ninguém. Como dizem, sentar e chorar não mudará nada. O problema não se resolverá sozinho.
 Mais uma vez, a resposta para minhas ansiedades e preocupações é: Let it be.
♫
Quando me encontro em tempos difíceis
Ela vem até mim
Dizendo palavras sábias:
Deixe estar.
E nas minhas horas de escuridão
Ela está em pé bem na minha frente
Dizendo palavras sábias:
Deixe estar.
E quando as pessoas de coração partido
Morando no mundo concordarem
Haverá uma resposta:
Deixe estar.
Pois embora possam estar separados, há
Ainda uma chance deles verem
Haverá uma resposta:
Deixe estar.
Sussurrando palavras de sabedoria:
Deixe estar.
E quando a noite está nublada
Ainda há uma luz que brilha em mim
E brilhará até amanhã
Deixe estar.
Acordo com o som da música
Ela vem até mim
Dizendo palavras de sabedoria:
Deixe estar.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Praça

Praça 7 de Setembro, 20:00h aprox., 27/09/2013.

Já ouvi falar que muitos adolescentes vão à praça para se drogarem, mas ouvir e estar lá são coisas muito diferentes. Estamos no fim do mundo, com certeza. Grupinhos formavam rodinhas e dava pra ver a fumaça subir de longe. O que é mais assustador é que são muito jovens- haviam alguns menores que eu. Fiquei espantada.
Indignada, questionei ao meu irmão porque os pais daqueles jovens permitem que fiquem na rua até tarde. São cegos ou estão apenas se fazendo? O que mais seus filhos podem estar fazendo na rua está hora? Depois que a situação sai de controle e começam a roubar para sustentar o vício, ou matam por um momento impetuoso de adrenalina, recorrem a ajuda. Se não se mobilizarem antes do problema iniciar, perderão as forças depois. Meu irmão respondeu que os pais não têm mais autoridade sobre os filhos- eu sei que isso é verdade, mas quem manda na sua própria casa, deveria ser você, pai!
 Quem esses adolescentes pensam que são? Acham bonito destruir o corpo perfeito que acabaram de receber?
Fiquei emocionada quando pensei nisso, pois, naquele momento, passou por mim um garoto lindo que deveria ter praticamente a minha idade, fumando. Estava estragando um corpo jovem e sadio. Ele poderia ser o que quisesse; ele escolheu a morte.
Qual é o sentido da vida pra vocês?

Saudade da minha franja? Imagina...

terça-feira, 16 de julho de 2013

How are you?

 Com dor. Dor nas costas, nos ombros, na cabeça. Fiz faxina durante uns 3 dias, pra nada. Tô detestando minha pele e amando minhas unhas. Continuo completamente apática nos assuntos sentimentais. Não cabe a mim mandar no coração. Preciso cortar o cabelo (de preferência, como o da Emma Watson, bem curtinho).  Preciso usar óculos- eu já tenho, mas não uso-, percebi o quanto sinto falta deles só agora. Devido a minha magreza, consigo usar meus shorts de quando eu tinha 11 anos de idade; eles não serviam mais, nem subiam pelas coxas.~Conselho: Nunca joguem fora ou doem roupas que vocês amam mas não servem mais. Eu fiz isso, porém emagreci e perdi todas as roupas.~ Quero dormir. Não durmo direito há mais de uma semana. Colocaria a culpa no maldito computador, mas quando me deito, não consigo desligar minha mente.
 Estudei, estudei para o curso. Mas quando chegou o dia, não fui ao curso. Minha mãe passou mal e fiquei com ela.
 Essa semana eu fui esfolada, xingada, humilhada, maltratada, ignorada e esquecida. Não foi muito diferente das outras semanas. Se ao mesmo todos tivessem apenas me esquecido, não seria tão ruim. Com a solidão, ninguém te enche o saco; ninguém te xinga, ninguém te desespera.
 Tudo bem. Está tudo bem. Como eu sempre digo: Seguir nada mais é do que aprender a conviver com problemas, com mudanças.
 Eu sei... eu sei. Eu também odeio gente que reclama sem parar. Mas ás vezes é preciso, senão explodimos. Todos tem uma válvula de escape. Para alguns é a música, para outros é a bebida, a droga, para outros é um ombro amigo. E para alguns, o suicídio. haha
 Como eu não tive nenhum dos citados acima, desabafo na escrita. (ainda bem né?)
 Foi uma semana tão triste e confusa que acredito que não poderei expor pra vocês. O estrago já foi feito. Devemos aproveitar o tempo com coisas sadias.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Tapa na cara do Facebook

 Eu tinha decidido desenhar, mas a preguiça tomou conta de mim e vim para o pc arrastar horas da minha vida em vão.
 Realmente, o virtual não tem a nos oferecer nada além de dor de cabeça. Mal entendidos e angústias bestas e sem sentido. Não é real.
 Estamos perdendo o contato, o verdadeiro convívio. A realidade. Não sabemos quem está por trás do outro lado. Como essa pessoa é realmente. O jeito dela.
 O maldito facebook já estragou muitas vidas, disso eu tenho certeza. Posso afirmar que já destruiu a minha algumas vezes.
 Muitas são "íntimas" virtualmente e quando se encontram no mundo real, não tem assunto. Não são as mesmas. Sei que isso é muito clichê, mas é verdade.
[...]
 O pior de tudo, pra mim, é que as pessoas pensam que se você não aceitar elas no Facebook, quer dizer que você não gosta delas. Andei excluindo muitas pessoas que eu não quero ter contato- colegas de escola, conhecidos e até parentes-, e elas me xingaram muito na vida real. Porque não respeitam minha opinião? Eu não quero briga, mas também não quero ter vocês no Facebook! Isso não entra na minha cabeça. hahaha
 Aceitem, caramba!

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Primeira semana de férias

 Primeira semana de férias, não descansei nada. Estresse, preocupação, exaustão. Tudo bem, já passei por momentos piores.
 Minhas notas na escola nunca forma tão baixas, e isso é o que me preocupa e incomoda mais. Quero recuperar o tempo perdido nessas férias e estudar- exatamente o contrário do que todos vão fazer.
 É bom desabafar pelo computador, pq posso digitar rapidamente. Porém ele está mt lento e preciso de um novo. Preciso de uma casa nova. Uma cidade nova. Uma vida nova. Mas, por enquanto, vou suportar.
 Curso de inglês, administração e informática todo sábado. Natação toda terça e quinta, horário novo. Preciso me reorganizar e ser mais responsável. Não é só na escola que tenho que estudar- tenho provas no curso tb.
 Eu vou conseguir. Eu vou conseguir.
 É só respirar fundo e agir. De nada adiantará o ato solo da minha respiração. Eu tenho que agir pra mudar isso.
 É quase meia noite e eu aqui reclamando de cansaço. Poderia estar dormindo. Mas esse maldito computador me prende e suga todas as minhas energias. Ele é tão lento que passo horas para carregar algumas míseras fotos.
 Preciso ajudar minha mãe, dar muita força a ela. Quero ver meu irmão bem- coisa que ele não está.
 Hoje, finalmente, me pesei! Como era de se esperar, eu emagreci. E muito. Estou com 43 kg. Estava com 47, 48 kg. Porém, levando em conta que eu engordei nessas últimas semanas, graças a Deus, eu deveria estar com 42, 41 kg quando cheguei ao auge da minha magreza. Perguntaram até se eu estava doente. Ainda bem que essa fase passou.
 Eu pesava 40 kg quando tinha uns 11 anos. Como fui chegar a esse ponto?

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Estou clichê

  Grande problema. Magoei quem não queria. Tudo isso a troco de nada. Me arrependo por ter dito o que disse. Me envergonho das coisas que fiz. Acredite, eu sai machucada dessa.
 Quando eu penso que acabou, começa tudo de novo. Eu não quis causar mal a ninguém.
 Sei que nunca lerá isso. Choro pensando em você. Não suporto a ideia de que te magoei.
 Sei que ás vezes sou confusa e digo coisas sem sentido. Não fazem sentido pra vocês, mas pra mim sim.
 Eu sou patética. Devem estar rindo de mim. 
 Desejo voltar no tempo e não dizer as coisas que eu disse. Eu poderia ter evitado muita coisa. Poderia ter evitado conhecer você.
 Como é impossível voltar atrás, desejo sair dessa cidade, desse país, desse mundo! Ficar longe de tudo e de todos por algum tempo. É isso que eu preciso. Ás vezes eu fico pensando como seria aliviador estar em coma. Minha mãe me mataria se lesse isso. Mas seria melhor. Ficar fora deste mundo. Apenas dormindo. Desligada. Sem sentir nada. 
 Coração partido. Como faz pra parar de doer? Que clichê. Mas é assim que me sinto. Quanto tempo demora pra tudo se restabelecer, voltar no lugar?
 Devem estar pensando em como sou ridícula. Pensando bem, eu concordo.

[...]
 Quer saber? Vocês todos são ridículos. Vocês também cometem erros. Vocês também se machucam e machucam os outros. Vou parar de ficar colocando mais peso sobre mim. De ficar me culpando.
 Como eu já pedi, educadamente, em vários outros posts: CALEM A BOCA TODOS VOCÊS!

terça-feira, 18 de junho de 2013

É preciso viver

 Você me faz sentir doente
 Você me faz sentir enjoada
 Você me faz chorar
 Você faz meu estomago embrulhar
 Mas é preciso estar viva para isso.

 Você tenta me entender
 Você tenta não me fazer sofrer
 Você tenta não estragar as coisas
 Você tenta não dizer
 Mas é preciso estar vivo para isso.

 Você acaba dizendo
 Eu acabo lendo
 Eu acabo ouvindo sermões
 Me xingam, gritam comigo
 Mas tudo isso porque estou viva.

 É preciso viver para amadurecer
 Que coisa ridícula
 Mais ridícula que a própria vida
 Era minha teoria
 Mas foi preciso viver para criá-la.

 Me amarrei
 Me enlacei
 Vou ouvir gritos
 Vou ouvir
 Estou ouvindo
 Mas é preciso estar viva para escutar isso.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Vida

 A vida é imprevisível. De uma hora para outra tudo o que você construiu pode desmoronar. Toda a sua vida pode virar de pernas pro ar. Tudo pode ser lançado repentinamente nas suas costas. Fico feliz por dizer que eu posso aguentar esse peso.
 Ninguém sabe o que eu passo. Ninguém pode sentir a minha dor. Mas ás vezes ela fica perceptível até na minha voz. A Jade notou isso.
 Vou tentar ser breve e o mais sincera possível. Gostaria de dizer algumas palavrinhas para algumas pessoas.
 Eric, desculpa por você ter me visto tão feia como estou. Você não merecia essa visão.

 Douglas, meu irmão, seus abraços poderiam ser mais apertados. De todos os problemas que tenho, o que mais me dói é o fato de que eu - não consigo digitar por causa das lágrimas- nunca te abracei como eu queria. Você é meu irmão, mas eu te amo como um filho. Na verdade, acho que amo todos como meus filhos; desejo cuidar de cada ser. Mas por você eu tenho um carinho muito especial. E eu nunca te disse isso. Nunca te disse essas coisas. Você faz parte de mim. 
(...) Ás vezes eu fico pensando... E se um de nós morresse? Meu irmão, você não sabe a dor que eu sinto só de pensar nisso. É extremamente angustiante pensar que eu nunca mais poderia te abraçar. Mas quando você me abraça, é tão fraco... Tão rápido. Meu irmão, eu preciso de você, eu estou aqui.
 Eu sonho em, um dia, conversar bastante com você, dizer o que sinto e ouvir o que você sente. Como você está passando por tudo isso? Estamos tendo muitos problemas ultimamente e me preocupo muito com você. Gostaria de saber como você está se sentindo. Eu faria de tudo para arrancar de você a dor, para resolver seus problemas, mas você não fala comigo. Eu te amo tanto, meu irmão... Tanto... Quando vem a sua imagem à minha cabeça, eu nem sei o que penso. Eu me vejo. Você é um espelho pra mim, e te vejo como um gêmeo; somos muito parecidos. 
 Eu quero abraços fortes e longos, mas não sei se você quer isso. Quero que você me ame como eu te amo, que você tenha o desejo de abraçar como eu desejo. 
 Douglas... Nós mal nos falamos. Você chega tarde do serviço e fica no celular. Você não sabe quem sou eu- até a Jade passa mais horas comigo. 
 Ás vezes eu sinto você tão distante. Sinto que não posso conversar com você, que não posso me abrir com você, que não posso tocar em você. Ás vezes, eu te sinto como um estranho. Isso dói.

 Renata, você é a mulher mais incrível que já conheci. Sua personalidade e seu jeito de encarar a vida e seus desafios me surpreendem; nunca conheci ninguém assim. Toda vez que estou junto de ti, penso em quanto são sortudas e felizes as pessoas que tiveram a oportunidade de te conhecer. Você é única, dinâmica, extremamente inteligente e me faz sentir bem. Eu queria ter conversado mais com você; tenho muitas coisas a falar. Eu te amo muito, e espero, de todo o coração, que você goste pelo menos um pouco de mim. Eu desejo, realmente, fazer você gostar cada vez mais de mim. Te vejo como uma segunda mãe. Você me ajudou muito, serei eternamente grata. 

 A vida é difícil, os tempos estão cada vez mais críticos. Honestamente, não sei como vai ser a minha daqui pra frente. Não sei o que irá acontecer comigo. Mas eu sei de onde tirarei forças para encarar meus dias, sei quem me dará sabedoria e calma para resolver meus problemas. Nada devo temer, pois Deus me dá absoluta segurança e paz genuína. Devo parar de ficar me preocupando tanto com o futuro, pois está escrito: "Não estejais ansiosos de coisa alguma, mas em tudo, por oração e súplica, junto com agradecimento, fazei conhecer as vossas petições a Deus". "Portanto, nunca estejais ansiosos quanto ao dia seguinte, pois o dia seguinte terá as suas próprias ansiedades. Basta a cada dia o seu próprio mal."
 Tenho bem em mente meus objetivos e meu coração está guiado para o caminho certo. Sei quem devo seguir, a vontade de quem devo fazer, quem devo agradar. Eu sei quem eu amo. Não tenho dúvida quanto a isso. 
 Me sinto mal não pelos problemas que tenho, mas pela sensação que eles causam. Meu estômago está revirado- sei que isso vai passar logo.

A letter to me.