Aceito encomendas de pinturas e desenhos. Entre em contato pelo e-mail: semacucar-porfavor@hotmail.com

Mostrando postagens com marcador Livros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Livros. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 25 de março de 2016

John(s)


O que eu aprendi com os John(s):
* Quando se ama uma pessoa, você faz o que for necessário para vê-la feliz; até mesmo se afastar. Como dizia o John Lennon: "Amo a liberdade, por isso deixo livres as coisas que amo. Se elas voltarem é porque as conquistei. Se não voltarem é porque nunca as possuí."
* E como concluiu outro John (Green): "Não dá para escolher se você vai ou não vai se ferir neste mundo, meu velho, mas é possível escolher quem vai feri-lo. Eu aceito as minhas escolhas".
Você aceita as suas?

segunda-feira, 21 de março de 2016

Mísero detalhe muda tudo


Última página do livro "A Garota das Laranjas", de Jostein Gaarder.
"P. S. Pa­ra todos os que leram este livro. Trata-se de um bom conselho, só isso:
Perguntem aos seus pais como eles se conheceram. Pode ser que eles contem uma história interessantíssima. Se não tiverem certeza de que eles vão contar exatamente a mesma história, perguntem a cada um separadamente.
E não se surpreendam se eles ficarem sem jeito no começo. É assim mesmo. Esses contos de fada sobre os quais nós acabamos de conversar nunca são perfeitamente iguais, mas agora eu percebo, pouco a pouco, que todo conto de fadas tem regras mais ou menos rígidas, que tornam difícil falar neles. Talvez vocês devam tentar contorná-las. Nem sempre é fácil tomá-las ao pé da letra, e existe uma coisa que a gente chama de "tato".
Quanto mais minuciosa for a história, tanto mais dá nos ner­vos ouvi-la, pois bastava alterar um pequeno detalhe para que o fi­nal fosse totalmente diferente, para que vocês não tivessem nascido. Aposto que há milhares e milhares de ínfimos pormenores que te­riam modificado absolutamente tudo, e vocês não teriam tido a me­nor chance.
Ou, para citar o meu inteligentíssimo pai: a vida é uma loteria gigantesca, na qual só os números vencedores são visíveis.
Você que está lendo este livro é um número vencedor. Sorte sua!"
[...]
Como citou o meu livro favorito, "A Garota das Laranjas", talvez se mudássemos um mísero detalhe e toda a nossa história de vida seria diferente. É como diz a teoria do caos ou efeito borboleta- algo pequeno pode resultar em uma catástrofe, ou causar algo inimaginavelmente maior e poderoso.
 Acredito que isso também se dê no caso dos amores. Como mostra o clipe "Without You" da banda Oh Wonder, talvez nos deparemos com uma pessoa especial em uma esquina. Vai saber... O futuro não pertence a nós.
Leia também: 

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Frio na barriga

Olá, terráqueos!
Há muito, muito tempo não escrevo algo decente no blog. [...] Estou frustrada! Tenho tanto a dizer, mas tão pouco tempo pra escrever. Confesso que estou com um pouco de receio de ter perdido o dom de narrar.
Bem, resumindo minha vida: Por mais que eu tente, não estou conseguindo descansar completamente- desejo que as férias cheguem logo; comecei a fazer curso de desenho na escola Bauhaus- sempre foi meu sonho; pretendo fazer ilustrações dos contos e crônicas que escrevi e postei aqui no blog, mas o tempo não me permite. ):
[...]
A professora de Português ficou impressionada com um trabalho que fiz sobre o livro clássico de Machado de Assis: Helena. Eu resumi o livro e coloquei pitadas de humor, gravei o áudio e fiz desenhos das cenas principais. Em sala de aula, eu apenas precisei colocar o áudio e ir passando as fotos dos desenhos em sequência no telão.
 Ela amou a ideia, pois achou útil e prático usar esse método para auxiliar deficientes visuais (com apenas o áudio) e deficientes auditivos (com apenas os desenhos). Ela propôs que todos os alunos fizessem um trabalho assim, com qualquer livro que gostassem (não precisaria ser os clássicos da literatura). Alguns alunos decidiram fazer sobre "Alice no País das Maravilhas", "A Menina que Roubava Livros", "Extraordinário" etc. Eu estava em dúvida entre "Jogos Vorazes", "O Jardim Secreto" ou "A Garota das Laranjas". Mas eu, definitivamente, escolho o último. Saiba o motivo neste post. Fiquei extremamente feliz e grata pela professora ter tirado proveito do meu trabalho. Darei meu máximo para realizar outro que a agrade.
Sou completamente apaixonada pela literatura de Jostein Gaarder, filósofo norueguês. "A Garota das Laranjas" foi um livro que mexeu muito comigo- É extremamente inteligente, eletrizante, estimulante e cativante. O livro contém debates filosóficos e fala muito sobre astronomia e natureza. Lê-lo uma experiência indescritível.
Jostein também é autor de outra obra famosíssima, a qual anseio ler: "O Mundo de Sofia".
Pesquisando sobre "A Garota das Laranjas" no youtube, descobri trailers de um filme baseado na obra. Pirei na hora. Não acredito que fizeram filme desse livro!!! Eu NECESSITO assistir!
Sinopse:
Numa carta que ficou guardada por muito tempo revela ao adolescente Georg Roed uma história extraordinária. O autor da carta é o pai do menino, morto há onze anos - ele escreveu esta longa mensagem de despedida para que o garoto pudesse lê-la depois, quando estivesse mais maduro.
 A história que o pai conta é do tempo em que ainda era um jovem estudante medicina: a sua busca por uma moça desconhecida, que ele vê por acaso nas ruas de Oslo, sempre carregando um saco cheio de laranjas. Apaixonado, o rapaz persegue os diversos mistérios que cercam os seus encontros fugidios  com a garota das laranjas, numa aventura que culmina numa grane revelação. Alternando entre a voz de Georg e a do pai, Jostein Gaarder constrói uma narrativa pontuada com perguntas filosóficas, que tratam de temas como o amor, a morte e a grandeza do universo.


Entrevista com o autor, Jostein Gaarder:

terça-feira, 17 de junho de 2014

3x ♥

 Assisti "A Culpa é das Estrelas" três vezes. Duas vezes dublado, uma vez legendado. Amei, amei e amei! Chorei em todas as sessões! ♥
 Se ainda não foram, recomendo que se apressem, pois, pelo visto, sairá de cartaz nesta quarta-feira (18/06).

terça-feira, 10 de junho de 2014

ACEDE


No total, nós temos cinco pernas, quatro olhos, e dois pares e meio de pulmões. hahaha  

sexta-feira, 6 de junho de 2014

OK? OK!


 Acabei de assistir ao filme; tô chorando até agora. É indescritivelmente lindo. Fiel ao livro, porém a experiência é diferente. Chorei muito mais no filme do que no livro. Isso porque vi aquelas personagens com vida, com dor, com sentimentos. Eu realmente pude senti-los.
 Fui quem mais chorou no cinema. Fiquei tremendo descontroladamente durante toda a sessão- espero que ninguém tenha reparado- de emoção. Saí de lá parecendo um zumbi- com olhos vermelhos e inchados.
 Durante o filme, estava tão emocionada que nem acreditei que realmente estava assistindo. Esperei durante meses.
 Quando a telona escureceu, e os soluços permaneceram, caminhar até a saída foi um desafio. Isso sempre acontece comigo- fico tontinha quando saio do cinema; ao descer as escadas, pareço estar em transe.
 Foi incrível. Incrível.
 Voltei pra casa ouvindo a trilha sonora que havia baixado em meu celular.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Retratação- O Teorema de Katherine

 Assim que apertei enter e publiquei aquele post, me arrependi. Senti uma leve pontada na têmpora.
 O Teorema de Katherine é um livro muito bom, engraçado e cativante. Dei muitas gargalhadas e desejei que esse livro virasse filme. Valeria a pena assistir.
 Mais legal ainda é imaginar os personagens. Eu, por exemplo, não consigo imaginar Colin Singleton como um magrelo com cabelo judeu-afro, como cita no livro. Eu simplesmente o idealizei como Calvin (Paul Dano), no filme Ruby Sparks (que, aliás, eu AMOOOO).
 Sério, eu não conseguia visualizar o Colin de outra maneira enquanto lia:








Quando, na verdade, devia tê-lo imaginado assim:


É um bom livro. Leiam. E assistam Ruby Sparks, esse filme é fascinante (Não sei que palavra definiria melhor).




Meu deus, agora vou dormir porque tô dopada e não aguento mais ficar acord...

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Nada com Nada

 Acabei de acabar- "acabei de acabar", essa é boa- de ler Teorema de Katherine. É legal, assim como A Culpa é das Estrelas, mas, quer saber? Ambos são fraquinhos e sem sal. Não que eu não tenha gostado- eu gostei demais da conta-, mas já li melhores. *Suspiro* Sei lá, acho que A Garota das Laranjas ainda é meu livro preferido. Já escrevi sobre ele aqui, dá um olhada.
 Não me arrependo de ter mergulhado em John Green nesse último mês. Não me arrependo nadinha. Eu, sinceramente, amei ter tido essa experiência e leria de novo. Mas, sei lá, não foi o que eu estava esperando.
 De qualquer forma, Quem é você, Alaska? e Cidades de Papel esperam por mim.
 [...]
 Mudando de assunto, quero muito ler/assistir Garota Exemplar. Sempre vi a capa do livro mas nunca me interessei. Pensei que fosse uma história sobre uma adolescente, mas agora, vendo o trailer, vi que estava redondamente enganada. Parece ser um bom livro/filme de suspense. Vou no cinema, na estreia.
 Bom, recomendo que assistam Gravidade, V de Vingança e A Origem- são filmes muito bons, dos quais já citei no blog.
 Hey, pensando bem... Vou fazer uma lista dos meus filmes favoritos. Vamos ver...
  • Truque de Mestre
  • 30 Minutos ou Menos
  • Contra O Tempo
  • A Escolha Perfeita
  • Sim, Senhor
  • Anjos da Lei
  • V de Vingança
  • Gravidade
  • Delírios de consumo de Becky Bloom
  • Como Se Fosse A Primeira Vez
  • O Diabo Veste Prada
  • De Repente 30
  • Minha Mãe É Uma Peça
  • Elysium
  • Vizinhos Imediatos de 3° grau
  • Os Intocáveis
  • A Proposta
  • Batman- Ressurge
  • Forrest Gump
 Não tá na ordem. Nunca conseguiria colocar em ordem, eu gosto de todos.
Ai! Agora me deu uma baita vontade de assistir Truque de Mestre e 30 Minutos ou Menos.
 AAAAAAAAAAAAFF, TÔ COM UM TÉDIO! MEU DEUS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Teoremas


 Tô apertada pra caramba pra ir ao banheiro, mas como tô com dor de cabeça de tanto ficar olhando a tela desse computador, quero terminar logo com isso. Vou escrever rápido.
 Cêis sabem que tô lendo O Teorema de Katherine, né? Acho até que é por isso que falei "cêis" e não "vocês"- o caipirismo do livro contagia. Bem, levei-o pra escola e, enquanto lia no intervalo, um garoto que comumente vem falar comigo, veio falar comigo, como de costume. Ele perguntou o que eu estava lendo e levantei o livro, mostrando a capa. Não sou muito de conversar, quer dizer, sou, sim. E muito. Não consigo parar de tagarelar. Mas não naquele dia. Coincidentemente, todas as vezes que ele vem falar comigo estou naqueles dias. Não quis dizer menstruação, quis dizer MAU HUMOR. Não quero conversar, fug*. Mas aquele cara nunca entende que eu não tô pra papo e que quero ficar sozinha (POR ISSO LEVEI O LIVRO, DÃ), mas, como garota educada que sou, levantei os óculos quando ele insistiu em conversar.
 Acabei contando, ou melhor, tentando contar o resumo do livro- porque sou péssima em resumos, e péssima em contar histórias; bem, na verdade, sou péssima em conversas, porque eu nunca consigo manter um assunto. Não sou prática, direta nem objetiva; eu sempre pulo de um assunto pra outro e fico confusa (Costumo brincar que tenho alzheimer, porque minha memória é realmente muito ruim)- e, como era de se esperar, perdi o foco da história umas 5 vezes. Contei à ele que o livro fala de um cara chamado Colin Singleton que foi uma criança prodígio e tinha uma certa queda por garotas chamadas Katherine, já que namorou 19 com o mesmo nome e levou fora das 19. Por isso, ele sai com seu melhor amigo em uma viagem de carro sem destino e tenta criar um teorema matemático pra prever quando sua próxima namorada Katherine irá terminar com ele. Contei a ele de uma das minhas cenas favoritas: Quando Colin e seu amigo, Hassan, param em uma cidadezinha rural porque querem ver o ponto turístico de lá e quando caminham até seu objetivo com uma jovem guia turística, ele cai e bate a cabeça em uma pedra e aí tem a ideia de criar o Teorema; enquanto a guia o ajuda e limpa o sangue de sua testa, ele conta sobre seus problema com garotas chamadas Katherine e a menina ri; Colin pergunta o motivo e ela diz que só teve um namorado na vida; ele pergunta porque isso é engraçado e ela responde: É engraçado... porque o nome dele é Colin.
 Daí o menino que estava sentado comigo durante o intervalo disse que tem um primo chamado Guilherme e que todas as meninas que namorou terminaram com ele por causa de um outro menino chamado Guilherme. Achei fascinante! O livro é quase real. Meu primeiro namorado se chamava Guilherme, mas essa é uma informação inútil que preferi guardar pra mim pouco antes de bater o sinal, informando-nos o fim do recreio.
* Esse é outro termo usado no livro O Teorema de Katherine. Não leiam, senão ficarão retardados como eu.

domingo, 6 de abril de 2014

A Culpa é do Meu Estômago


Eu estava prestes a iniciar o enterro do Gus, quando meu celular vibrou ao meu lado.
“Tem planos pra hoje?”
Dona de lindos cabelos cacheados, Amanda- uma garota muito legal, com quem eu queria realmente ter amizade-, me convidou pra ir ao shopping bater perna porque ela queria comprar um livro. Não que eu tivesse dificuldade pra fazer amigos; pelo contrário, eu tinha muitos, mas péssimos. Deve estar se perguntando como sei que ela seria diferente e porque a julguei prematuramente uma boa amiga. É porque ela está separada, assim como eu, da imundice desse mundo e não segue os padrões rebaixados do mesmo.
 Eu estava com o cabelo todo ensebado, olhos inchados e vermelhos de tanto chorar, parecendo um sapo, deitada no sofá lendo “A Culpa é das Estrelas”, quando recebi o convite. Hoje eu acabo de vez com esse livro, pensei. Mas meus planos mudaram quando recebi a mensagem, que veio em boa hora, pois eu precisava mesmo ir ao shopping comprar um suplemente vitamínico pra Wendy, minha tartaruga- isso não vem ao caso.
Ás dezenove e meia em ponto, ela tocou o interfone. A viagem para o mais novo shopping da cidade não foi tão longa levando em conta que ficamos batendo papo no carro. Quando o pai dela estacionou e ela desceu, fiquei esperando que ele descesse também. O pai dela é muito legal e já se tornou um grande amigo. E a viagem até o shopping é muito longa para apenas uma carona, por isso presumi que ele fosse conosco. Mas não.
 Esqueci de dizer: Dentro do carro perguntei à ela que livro ela tinha em mente comprar, e ela respondeu “A Culpa é das Estrelas”. Contei, empolgada, que eu estava terminando exatamente esse livro quando ela me chamou pra dar uma volta e que é muito bom, e que ela vai chorar muito, e amar e amar e amar.
 Bom, retomando, entramos na livraria e demos de cara com o tal livro do John Green; ela estava muito indecisa sobre comprar ou não, mas eu a convenci. Logo peguei “Destrua Esse Diário”, que sempre achei muito interessante, mas assim que vi meus 19 reais sendo rasgados, amassados e pisados, figurativamente, fiquei indecisa sobre comprar. Antigamente eu pensava que o “Destrua Esse Diário” era um livro que continha uma história, e eu não entendia porque ele era tão famoso se eu nunca sequer vi uma sinopse. Quando descobri que ele instruía seu dono a, literalmente, o destruir, eu achei a ideia muito boa e libertadora. Deve ser bom pra pessoas tímidas e retraídas se soltarem. Eu sabia que, assim que o comprasse, estaria assumindo um compromisso invisível de cumprir todas as instruções do que devia fazer com ele.  Mas, porém, entretanto, eu também não queria “jogar meu dinheiro fora” e, acredite, tem muitos cupcakes por aí, esperando para serem devorados por mim, tendo como última visão meu dinheiro sendo queimado por eles, antes da mordida fatal. Claro que Amanda retribuiu meu incentivo, e também que convenceu a comprar o livro.
 Saindo de lá, passamos por um corredor muito movimentado e procuramos nos informar. Que exagero dizer que procuramos nos informar, nós apenas lemos uma placa em que dizia: “Experiência Escher” e entramos. Havia me esquecido que ainda estava tendo aquela exposição e fiquei com um sorriso de orelha a orelha por não ter perdido nem passado reto. Quadros ilusionistas e psicodélicos maravilhosos. Desenhos que observei de perto para crer que foram mesmo feitos a caneta. Vocês nem imaginam como é difícil desenhar a caneta. Acho que nunca, jamais, serei capaz de reproduzir tantos detalhes e aquela arquitetura perfeita. O tempo todo fiquei pensando: “Veja as coisas que o homem é capaz de fazer”.







O que mais gostei foi Metamorphose, abaixo. Se tiver como vocês aumentarem, ou verem outra imagem dessa obra, seria muito legal. Faz parte de um quadro só, em sequência.

Logo depois tiramos fotos nos gigantes cenários psicodélicos e inteligentes de Escher: Em um, parecíamos cair em um buraco sem fim (perdoem minha descrição limitada); em outro, com ilusão de ótica, a pessoa que se localizava em um canto da sala ficava gigante, enquanto a outra, do outro lado, ficava minúscula. Pelo menos uma vez em minha vida, senti o prazer de ser “alta”.



Fui á uma loja de animais ridiculamente enorme, em busca do complexo vitamínico da minha tartaruga, que vive doente, mas não tinha. Achei absurdo terem tanto espaço, tanta coisa, e não o necessário. O meu necessário. O necessário da Wendy.
 Procuramos um lugar legal pra comer e paramos em uma loja com um cardápio convidativo a qualquer ser humano com a capacidade de enxergar, mas completamente não-recomendado para diabéticos. Decidimos pedir um sandae, o meu tropical e o dela, frutas vermelhas. Nos sentamos nas mesinhas que se encontravam do lado de fora do shopping, cercado apenas por vasos de plantas, sem nenhuma cerca ou marcação definitiva; o local era tão pequeno que acho que só havia três mesas com guarda-sóis inúteis (pois estava de noite) e, além de nós, apenas uma família se encontrava lá. Uma pena não ter outras mesas dentro do shopping, porque fora do ar condicionado, estava um forno. Tivemos longas conversas e vi que temos muito em comum. Eu estava tão envolvida no assunto que nem reparei quando nossos copos (grandes demais, pra ser sincera) recheados de pedaços de frutas diversas com sorvete e cobertos até o topo com chantilly chegaram. Reparei menos ainda quando a tal família foi embora. Rimos de chorar e demos de cara com o clichê que sempre nos é apresentado: “Esse mundo é pequeno demais”, pois descobrimos que eu conheço algumas pessoas que ela conhece. Amigos em comum.
Na volta, me senti aquela criança de 8/9 anos que se inclinava ao máximo para ver as estrelas pela janela do carro- desejei que ninguém me visse olhar com tanta nostalgia as belas lanternas flutuantes, fazendo referência ao filme Enrolados. Uma música do Coldplay tocou suave ao fundo. Não sei que música era, mas todas as músicas deles são boas. Julgo-as perfeitas para estarem na lista das que são tocadas nas lojas de roupas do shopping (Você sabe o quanto é legal vestir uma roupa qualquer em um provador qualquer com uma música bonita que sistematicamente tem que combinar com o ambiente compulsivo pelo qual você sente prazer em estar?). Eu gostaria de ouvir uma música do Coldpay enquanto faço compras compulsivamente.
 Enquanto olhava para a escuridão do outro lado da janela, fiquei pensando em como a vida é engraçada e em como as consequências de nossos atos podem fazer cócegas na barriga: Mais cedo, no mesmo dia, estava eu chorando no meu sofá, deitada confortavelmente, apenas desejando que ninguém mais da casa acordasse para que eu pudesse ler em paz sem o barulho da televisão; bastou um convite feito por SMS para que todo o meu futuro a curto prazo se mudasse drasticamente. Em vez de mais um dia normal e tedioso, lá estava eu fazendo uma viagem a noite (porque, como eu disse, o shopping era muito longe e a gente até passava por estradas). E eu amo viajar a noite. Fiquei pensando em como era legal o fato deu decidir onde eu poderia estar. Depois de tantos anos presa a uma casa onde mal dá pra ver o céu, fico feliz quando me encontro em lugares com o céu aberto.
 Tudo estava tão escuro que nem dava pra ver a divisão entre chão e céu. Aos poucos as luzes da cidade (estraga prazeres) me ajudaram a distinguir a linha do relevo. Passamos por um contorno de árvores perfeitamente enfileiradas em cima de um monte, e as estrelas que enfeitavam a cortina esticada logo atrás tornava mais lindo aquele “quadro”. Estávamos separadas apenas por um vidro de janela de carro, a paisagem e eu.
Chegando em casa, não resisti a tentação e folheei cada página do “Destrua Esse Diário”; eu não queria estragar a surpresa das coisas que terei que fazer, mas pensei “ah, que se dane, amanhã eu esqueço”.
Hoje acordei cedo demais e isso vem acontecendo com frequência. Decidi terminar “A Culpa é das Estrelas”, o que é meio triste, porque não queria que acabasse. O livro me proporcionou por 3 dias uma experiência deliciosa. Dei boas gargalhas e derramei lágrimas amargas.
Não me importei com o que algumas pessoas disseram na escola, me julgando: “Nunca lerei esse livro. Já virou modinha”.  Eu queria ter tido essa experiência. Eu queria saber qual é, afinal, a história da Hazel Grace e do Augustus Waters. Eu queria ser mais uma pessoa que leu o fomoso livro “A Culpa é das estrelas” e não me importava com o que pensavam disso. Confesso que esse desejo cresceu dentro de mim no exato momento em que vi, pela milésima vez, o trailer do filme que estão produzindo a partir do livro. O ator que escolheram pra representar o Gus é extremamente lindo, pro meu gosto, e foi ele quem mais me motivou a ler. Recordo-me que semana passada, quando esse desejo começou a queimar dentro de mim, pesquisei todos os filmes da Shailene Woodley, de quem já me tronei fã, e fiquei ESPECIALMENTE LOUCA pra assistir ao filme “The Spetacular Now”- porém, não encontrei na locadora e aluguei “V de Vingança” e “Gravidade” (Recomendo que assistam aos dois filmes; são de tirar o fôlego e indescritíveis (“V de Vingança” é citado no livro “A Culpa é das Estrelas”)). Não consegui ler imaginando os personagens de outra forma sem que fossem como os vi no trailer. Pude ver, verdadeiramente, o sorriso torto do Gus em cada página representado pelo ator Ansel Elgort, e juro que pude ouvir cada palavra inteligente saindo da boca da Shailene Woodley.
Não consigo ler com barulho. Por isso morro de raiva quando meus vizinhos decidem, sem me avisar, cantar e tocar pagode e soltar fogos de artifício- sem o menor sentido nem data comemorativa. Eu estava lendo as últimas páginas quando soltaram fogos, daí dei um pulo e perdi o ar.
 Sempre que acabo de ler um livro ou de ver um filme no cinema, tenho uma estranha sensação de vazio. Meu estômago começa a revirar e eu fico meio fora do ar, em transe. Isso sempre acontece. Dentro da sala escura do cinema é ainda pior, porque eu fico muito tonta com as pernas bambas enquanto desço as escadas e me agarro nas paredes pra não cair. Bem, eu odeio essa sensação de vazio e perda quando acaba um livro. Odeio.
 Estou me sentindo, particularmente, mal por não ter compreendido com clareza a grandeza dessa obra de John Green. Bem antes de acabar a leitura, eu havia me comprometido a lê-lo novamente, para entender cada expressão e interpretar cada palavra da forma correta.
 Minha análise (de mim, não do livro) agora: Espero que esse nó corriqueiro no estômago passe, e espero me sentir novamente próxima aos personagens dessa história fabulosa que a pouco encerrei. Fiquei feliz por ter me permitido me sentir mais uma jovem que lê John Green e que chora com histórias ficticiamente verdadeiras. “A Culpa é das Estrelas” é totalmente diferente do que eu pensei. Pra ser sincera, não montei uma pré-história na minha cabeça antes de começar a folhear o livro, mas não imaginei a dor e a afinidade que palavras poderiam causar em mim.
 Eu amei.
Amei sentir o que senti.
- Okay, Ansel Elgort, eu aceito me casar com você.
- Okay.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Roda-gigante


- Não ouse tirar a venda!- Ordenou a garota assim que estacionou o carro.- Agora, vou colocar-lhe protetores de ouvido para que não escute nada. Fique tranquilo, te guiarei. Mas tome cuidado pra não tropeçar; não poderei te alertar ao dizer "vá pra esquerda ou vá pra direita", pois não me escutará. Terá de confiar em mim.
- Tudo bem.- Consentiu educadamente o garoto.- Além de cego, me fará surdo.
  Ela deu a volta e abriu a porta do carro. Puxou-o até a entrada, comprou dois ingressos. Subiram um, dois, três degraus. Sentaram-se com cuidado. O garoto sentiu uma barra de metal gelada prender suas pernas. A garota segurou sua mão para que não tivesse medo. Subitamente o chão se moveu para trás; ele apertou com força a mão da garota. O mundo parecia se mexer para frente e para trás, em um movimento contínuo. A garota decidiu tirar os protetores de ouvido dele e disse:
- Ainda não retire a venda. Sabe onde está?
- Só você seria capaz de me fazer ir ao Barco Viking. Sabe que é o brinquedo que mais tenho medo.  Com os olhos vendados a sensação é ainda pior. Estou todo arrepiado e meu estômago está embrulhado. Acho que vou vomitar!- A garota também estava sentindo calafrios e borboletas no estômago, mas o motivo era outro. Ela tomou coragem, se aproximou e o beijou suavemente. Depois o garoto soube que poderia tirar a venda para olhar nos olhos dela.
- Estou apaixonada por você.- Gaguejou a garota.
- É recíproco.- Beijou-a alegremente.
 Ao descerem do brinquedo, a puxou e disse:
 - Sabe qual brinquedo é mais romântico do que o Barco Viking? A roda-gigante!
 Enquanto girava, o garoto procurava algo no bolso. Um papel de bala. Torceu-o e deu um nó. Pegou a mão da menina e disse que aquela seria a aliança do compromisso doce que teriam. Ela repetiu o ato.
 Depois da terceira volta, a roda parou e a cabine deles estava no topo. Contemplaram a lua enquanto sentiam o coração um do outro.



Mais detalhes da ilustração aqui.

                        Não falta chão, falta céu
                        Aquela garota
                        Não se pode confiar no coração
                        Pessoas vazias

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Beijo Doce


  Le Jardin Secret, a doceria de São Paulo, tem uma decoração toda vintage e vende doces típicos da culinária francesa. O lugar perfeito para ir engordar com as amigas.
  Talvez fosse o fato de que o espaço parecia ser meio mágico, ou a alta quantidade de açúcar no sangue da menina, ou o menino chegou perto demais. Acabou acontecendo.
 Sara entrou na loja pela primeira vez. Ela acabou de fazer 18 anos e há um se mudou sozinha para a metrópole. Sempre foi seu sonho morar em São Paulo, ainda que todos dissessem a ela que alcançaria seus objetivos em qualquer lugar do mundo. O que eles não entendiam era que essa mudança a ajudaria- e muito- a aprimorar suas técnicas de desenho. Começou a faculdade há dois meses e havia acabado de sair de lá, com seus cadernos e mais cadernos e uma grande bolsa- que a deixava menor do que realmente era-, quando adentrou a doceria. Apesar de já ter passado um ano na cidade, não conheceu todos os lugares; nunca foi de sair muito.
 Um pouco estressada com as aulas, pois nunca acreditou que era capaz, ela pediu não uma, não duas, mas todas as especialidades da casa. Doce a fazia se sentir bem. O atendente riu e anotou o pedido. Estava tão apática que nem percebeu o quanto ele era bonito. Loiro com olhos cor de mel.
 Sara só foi notar o menino quando este a trouxe uma bandeja e colocou delicadamente sobre a mesinha em sua frente. Seu sorriso era tão branco que a deixou intrigada. “Como uma pessoa pode ter acesso a tantos doces e ter os dentes perfeitos?”, pensou alto. O garoto riu: “Doces enjoam!” Sara ficou sem graça por ter dito em voz alta. Nem deu atenção ao comentário do menino e enfiou um bolinho na boca.
 Enquanto devorava com voracidade o terceiro bonbon à la truffe, observava a decoração da loja. O ambiente meigo a impressionava; enquanto o que impressionava o menino, do outro lado da sala, era como ela comia com tanta rapidez.
 Meia hora havia se passado, e não era exagero dizer que o tinha na bandeja lembrava uma pilha e agora quase não havia mais nada. Sara começou a tossir.
- Você não está se sentindo bem? – Correu o garoto, preocupado.
- Isso é muito bom. Experimenta! - Sara enfiou meio bolo na boca do garoto, que havia acabado de se sentar ao lado dela.
- É realmente muito bom... - Disse o garoto, degustando o doce. Mas ele não se referia ao bolo.
 Seus rostos estavam tão perto, e o doce pode ter sido o culpado de tudo. Por um ímpeto, se aproximaram lentamente- seus narizes se tocaram, e seus lábios roçaram um no outro. O menino segurava o rosto da menina com as duas mãos, como se ela fosse a coisa mais delicada do mundo. A menina, com os batimentos acelerados, passava a mão no cabelo macio do menino. Entre um beijo e outro, eles se fitavam nos olhos. Ás vezes o menino deixava escapar um sorriso. Os beijos foram ficando cada vez mais intensos. O menino sussurrou: “Eu estava errado. Doces não enjoam.” E voltou a beijá-la como se ela fosse o último macaron do mundo.
 Sara nunca foi de beijar qualquer um. Apesar de desinibida e extrovertida, ela só namorou dois caras na vida. E foram erros.
 Quando acabaram, a falta de ar era visível nos dois. Foram beijos suaves e leves, por que estavam tão ofegantes assim?
 Sara acreditava que era porque ela nunca havia feito isso antes. O menino, por ter acabado de encontrar a mulher de sua vida.
 Dois estranhos em um sofá. Eles eram isso. Apenas dois estranhos que tinham acabado de se beijar.
 Quando esse pensamento tomou conta dela, pegou suas coisas, tirou 3 notas e jogou em cima da mesinha. Ela não estava nem aí para o troco, queria dar o fora dali. O menino sentiu o desejo de persegui-la como nunca havia sentido antes, mas não o fez. Por algum motivo, ele tinha de deixá-la ir.
 A menina partiu pelas ruas de São Paulo. Elas nunca estiveram tão embaralhadas antes. Parecia um labirinto. Sara estava perdida e confusa.



Conto e desenho de Palloma Beatriz Fialho Damas.


segunda-feira, 1 de julho de 2013

Le jardin secret- Beijo doce

            

  Le Jardin Secret, a doceria de São Paulo, tem uma decoração toda vintage e vende doces típicos da culinária francesa. O lugar perfeito para ir engordar com as amigas.
  Talvez fosse o fato de que o espaço parecia ser meio mágico, ou a alta quantidade de açúcar no sangue da menina, ou o menino chegou perto demais. Acabou acontecendo.
 Sara entrou na loja pela primeira vez. Ela acabou de fazer 18 anos e há um se mudou sozinha para a metrópole. Sempre foi seu sonho morar em São Paulo, ainda que todos dissessem a ela que alcançaria seus objetivos em qualquer lugar do mundo. O que eles não entendiam era que essa mudança a ajudaria- e muito- aprimorar suas técnicas de desenho. Começou a faculdade de desenho há dois meses e havia acabado de sair de lá, com seus cadernos e mais cadernos e uma bolsa grande- que a deixava menor do que realmente era-, quando adentrou a doceria. Apesar de já ter passado um ano na cidade, não conheceu todos os lugares; nunca foi de sair muito.
 Um pouco estressada com as aulas, pois nunca acreditou que era capaz, ela pediu não uma, não duas, mas todas as especialidades da casa. Doce a fazia se sentir bem. O atendente riu e anotou o pedido. Estava tão apática que nem percebeu o quanto ele era bonito. Loiro com olhos cor de mel.
 Sara só foi notar o menino quando este a trouxe uma bandeja e colocou delicadamente sobre a mesinha em sua frente. Seu sorriso era tão branco que a deixou indignada. “Como uma pessoa pode ter acesso a tantos doces e ter os dentes perfeitos?”, pensou alto. O garoto riu: “Doces enjoam!” Sara ficou sem graça por ter dito em voz alta. Nem deu atenção ao comentário do menino e enfiou um bolinho na boca.
 Enquanto devorava com voracidade o terceiro bon bon à la truffe, observava a decoração da loja. O ambiente vintage a impressionava, enquanto o que impressionava o menino, do outro lado da sala, era como ela comia com tanta rapidez.
 Meia hora havia se passado, e não era exagero dizer que o tinha na bandeja lembrava uma pilha e agora quase não havia mais nada. Sara começou a tossir.
- Você não está se sentindo bem? – Correu o garoto, preocupado.
- Isso é muito bom. Experimenta!- Sara enfiou meio bolo na boca do garoto, que havia acabado de se sentar ao lado dela.
- É realmente muito bom...- Disse o garoto, degustando o doce. Mas ele não se referia ao bolo.
 Seus rostos estavam tão perto, e o doce pode ter sido o culpado de tudo. Por um ímpeto, se aproximaram lentamente, seus narizes se tocaram, e seus lábios roçaram um no outro. O menino segurava o rosto da menina com as duas mãos, como se ela fosse a coisa mais delicada do mundo. A menina, com os batimentos acelerados, passava a mão no cabelo macio do menino. Entre um beijo e outro, eles se fitavam nos olhos. Ás vezes o menino deixava escapar um sorriso. Os beijos foram ficando cada vez mais intensos. O menino sussurrou: “Eu estava errado. Doces não enjoam.” E voltou a beijá-la como se ela fosse o último macaron do mundo.
 Sara nunca foi de beijar qualquer um. Apesar de desinibida e extrovertida, ela só namorou dois caras na vida. E foram erros.
 Quando acabaram, a falta de ar estava visível nos dois. Foram beijos suaves e leves, por que estavam tão ofegantes assim?
 Sara acreditava que era porque ela nunca havia feito isso antes. O menino, por ter acabado de encontrar a mulher de sua vida.
 Dois estranhos em um sofá. Eles eram isso. Apenas dois estranhos que tinham acabado de se beijar.
 Quando esse pensamento tomou conta dela, pegou suas coisas, tirou 3 notas e jogou em cima da mesinha. Ela não estava nem aí para o troco, queria dar o fora dali. O menino sentiu o desejo de persegui-la como nunca havia sentido antes, mas não o fez. Por algum motivo, ele tinha de deixá-la ir.
 A menina partiu pelas ruas de São Paulo. Elas nunca estiveram tão embaralhadas antes. Parecia um labirinto. Sara estava perdida e confusa.


Conto e desenho de Palloma Beatriz Fialho Damas.