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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Roda-gigante


- Não ouse tirar a venda!- Ordenou a garota assim que estacionou o carro.- Agora, vou colocar-lhe protetores de ouvido para que não escute nada. Fique tranquilo, te guiarei. Mas tome cuidado pra não tropeçar; não poderei te alertar ao dizer "vá pra esquerda ou vá pra direita", pois não me escutará. Terá de confiar em mim.
- Tudo bem.- Consentiu educadamente o garoto.- Além de cego, me fará surdo.
  Ela deu a volta e abriu a porta do carro. Puxou-o até a entrada, comprou dois ingressos. Subiram um, dois, três degraus. Sentaram-se com cuidado. O garoto sentiu uma barra de metal gelada prender suas pernas. A garota segurou sua mão para que não tivesse medo. Subitamente o chão se moveu para trás; ele apertou com força a mão da garota. O mundo parecia se mexer para frente e para trás, em um movimento contínuo. A garota decidiu tirar os protetores de ouvido dele e disse:
- Ainda não retire a venda. Sabe onde está?
- Só você seria capaz de me fazer ir ao Barco Viking. Sabe que é o brinquedo que mais tenho medo.  Com os olhos vendados a sensação é ainda pior. Estou todo arrepiado e meu estômago está embrulhado. Acho que vou vomitar!- A garota também estava sentindo calafrios e borboletas no estômago, mas o motivo era outro. Ela tomou coragem, se aproximou e o beijou suavemente. Depois o garoto soube que poderia tirar a venda para olhar nos olhos dela.
- Estou apaixonada por você.- Gaguejou a garota.
- É recíproco.- Beijou-a alegremente.
 Ao descerem do brinquedo, a puxou e disse:
 - Sabe qual brinquedo é mais romântico do que o Barco Viking? A roda-gigante!
 Enquanto girava, o garoto procurava algo no bolso. Um papel de bala. Torceu-o e deu um nó. Pegou a mão da menina e disse que aquela seria a aliança do compromisso doce que teriam. Ela repetiu o ato.
 Depois da terceira volta, a roda parou e a cabine deles estava no topo. Contemplaram a lua enquanto sentiam o coração um do outro.



Mais detalhes da ilustração aqui.

                        Não falta chão, falta céu
                        Aquela garota
                        Não se pode confiar no coração
                        Pessoas vazias

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Aquilo por que vivi

Três paixões, simples, mas irresistivelmente fortes, governaram-me a vida: o anseio de amor, a busca do conhecimento e a dolorosa piedade pelo sofrimento da humanidade. 

Tais paixões, como grandes vendavais, impeliram-me para aqui e acolá, em curso, instável, por sobre o profundo oceano de angústia, chegando às raias do desespero. 

Busquei, primeiro, o amor, porque ele produz êxtase – um êxtase tão grande que, não raro, eu sacrificava todo o resto da minha vida por umas poucas horas dessa alegria. Ambicionava-o, ainda, porque o amor nos liberta da solidão – essa solidão terrível através da qual nossa trêmula percepção observa, além dos limites do mundo, esse abismo frio e exânime. Busquei-o, finalmente, porque vi na união do amor, numa miniatura mística, algo que prefigurava a visão que os santos e os poetas imaginavam. Eis o que busquei e, embora isso possa parecer demasiado bom para a vida humana, foi isso que – afinal – encontrei. 

Com paixão igual, busquei o conhecimento. Eu queria compreender o coração dos homens. Gostaria de saber por que cintilam as estrelas. E procurei apreender a força pitagórica pela qual o número permanece acima do fluxo dos acontecimentos. Um pouco disto, mas não muito, eu o consegui. 

Amor e conhecimento, até ao ponto em que são possíveis, conduzem para o alto, rumo ao céu. Mas a piedade sempre me trazia de volta à terra. Ecos de gritos de dor ecoavam em meu coração. Crianças famintas, vítimas torturadas por opressores, velhos desvalidos a construir um fardo para seus filhos, e todo o mundo de solidão, pobreza e sofrimentos, convertem numa irrisão o que deveria ser a vida humana. Anseio por afastar o mal, mas não posso, e também sofro. 

Eis o que tem sido a minha vida. Tenho-a considerado digna de ser vivida e, de bom grado, tornaria a vivê-la, se me fosse dada tal oportunidade.
Bertrand Russel.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Abra os olhos!

 O quê esses adolescentes têm na cabeça?
 Namorar, ficar, beijar, se apaixonar. Que coisa ridícula. Estão todos cegos. Eles não vêem que estão cometendo erros, fazendo besteira e arrumando problemas?
 Namorar é a coisa mais idiota do mundo! Vejo sofrimento, decepção, dor, ansiedade. Muitas vezes a pessoa pode não corresponder, não demonstrar, ou não sentir algo tão forte quanto o que você sente.
 Tantos jovens ao meu redor, na minha escola, nas ruas, na TV, namorando, se apaixonando ou sofrendo por alguém. Sinto pena deles. Penso e digo: "Mais cedo ou mais tarde vai acabar". A chance de um casal jovem continuar junto é de 4%. Até casais que estão juntos há anos, comprometidos ou casados, se separam facilmente.
 Como é possível a sociedade ser tão cega? Este mundo sujou e distorceu completamente o amor. Amor, não sabem dizer se é um sentimento, uma palavra, uma angústia ou simplesmente um som. Amar soa bem para qualquer um- todos dizem que amam-, mas na verdade, só gostam do som desta palavra. Dizem e repetem muitas vezes sem ao menos sentir algo. Deveria realmente não passar de uma palavra. Amar.
 Se apaixonam facilmente por pessoas que mal conhecem. Me diga como é possível se apaixonar por alguém que você não conhece? E quando digo conhecer, não estou me referindo a longas conversas no facebook ou a telefonemas, me refiro ao convívio, ao compromisso, ao prazer de estar junto. Ficam horas no bate papo, mas acabam não falando nada. Assuntos pobres, frases repetitivas, palavras bestas. Isto não é o amor.
 Alguns se "apaixonam" por conversas, outros por fotos. Mas e quando se conhecem pessoalmente, saindo do virtual? Bem, continua naquela conversa repetitiva- isto quando não é um monótono-, sem nada a acrescentar. Isso não vai manter seu relacionamento em pé.
 Paixão de verdade vai muito além das conversas, da atração física, dos gostos em comum... Amor é desenvolvido pelo dia-a-dia, pois só se conhece uma pessoa de verdade quando há convivência. Sabendo como essa pessoa age, conhecendo sua rotina, o seu jeito, como ela resolve os problemas, como ela lhe dá com os assuntos.
 Banalizaram o namoro, o casamento, o amor puro. Hoje em dia, isso só causa dor de cabeça.
 Namorar é assunto sério. Portanto, pense bem antes de tomar essa decisão importante.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Animais X Fogos de artifício: como cuidar de seus bichos



Uma das piores épocas para nossos bichinhos de quatro patas é o ano novo. Com o festival de fogos de artifícios, os bichos entram em pânico – e isso pode causar acidentes dentro de casa. O barulho gerado pelos fogos é quase ensurdecedor para a audição aguçada dos cães.

Muitos animais fogem e se envolvem em acidentes como atropelamentos e até enforcamento na própria coleira na tentativa de fuga. Por ser um período de festas, fica difícil encontrar um veterinário disponível para um atendimento emergencial. Por isso, a melhor opção é a prevenção.

Acomode seu bicho de estimação dentro de casa. Procure deixá-lo em um ambiente mais calmo, com iluminação suave e feche portas e janelas para evitar uma fuga. Se quiser, pode colocar cobertores sobre as janelas e no chão para ajudar a abafar o som dos fogos. Não deixe muitos animais juntos para evitar que se mordam. 

Alguns veterinários aconselham o uso de tampões de algodão nos ouvidos, que podem ser colocados minutos antes dos fogos. Dê uma alimentação suave para evitar problemas intestinais em função do stress gerado pelo barulho. Se você tem pássaros, não esqueça de cobrir suas gaiolas. No caso dos gatos, deixe-os em um quarto com algumas portas de armários abertas. Deixe cobertores para que ele possa entrar no armário e se esconder entre as cobertas e tire do ambiente todos os objetos que podem ser quebrados. O uso de florais também é bastante recomendado para acalmar os bichinhos – e ainda tem o maior calmante de todos: o seu colo!

Fonte: http://pop.com.br/mundopop/mulher/noticias/Animais-X-Fogos-de-artificio-como-cuidar-de-seus-bichos-879803.html

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Noel vale a pena?

 Entrevista com Papai Noel |

 Sempre fui muito comunicativa. Amo  conhecer pessoas novas,  fazer amizade. Mas nunca pensei em entrevistar alguém... Acabou dando certo.
 Neste sábado, 15/12, fomos ao shopping, minha amiga Jade e eu (Ela é a amiga que eu citei no post sobre amizade. O post acabou dando certo). Nós adoramos ir ao shopping pra fazer "nada"; ficamos só andando, conversando... Não aguentei de dor nas pernas depois de três horas em cima do salto. Uma dica: NUNCA VÃO AO SHOPPING DE SALTO ALTO! Eu sou retardada, sou exceção. Minha mãe disse pra eu não ir de salto, mas a anta aqui quis sentir um pouco de dor. Meus pés não estavam roxos, estavam PRETOS!!! Mesmo assim, tive que aguentar umas 6 horas em cima do salto. Sim, ficamos SEIS horas no shopping fazendo absolutamente nada. Passamos fome, frio, dor... Que exagero.
 Mas o dia não foi totalmente em vão, nós fomos para o último andar e nos deparamos com um homem vestido de vermelho e usando uma barba falsa. Jade disse pra eu sentar no colo dele, eu, obviamente, me sentei do lado dele e comecei a conversar sobre o seu emprego.
 Ele me disse que cinco já morreram nessa profissão de AVC, pois passam muito calor, mesmo debaixo do ar condicionado do shopping. "Um colega nosso teve AVC ontem, no Ribeirão Shopping. Ele era um dos mais velhos". Disse que já estava todo suado, e eu encostei na peruca dele, que estava molhada. "Esse ano, entrei com 129 kg, e agora, um mês depois, estou com 119 kg".  Quando ele era jovem, aguentava 6 horas sentado, agora mal aguenta as 5- pois o trabalho é muito desgastante. Ele também está tomando remédio para alergia, porque a barba e a peruca pinicam muito. Só de conversar com ele, meu nariz pinicou sem parar. Não podem comer, nem beber muito para não sentirem vontade de ir ao banheiro. Perguntei quanto ele ganha por dia, ele respondeu que era 97 ou 100 reais. Ele tem emprego em outro lugar, portanto esse era um bico. 
 Ele contou que tem um filho de 17 anos e que muitos anos atrás, começou a trabalhar como Papai Noel por necessidade, agora ele faz por prazer. Perguntamos qual foi o pedido mais marcante que já fizeram pra ele, ele respondeu: "São muitos pedidos emocionantes. Algumas crianças vem aqui e me pedem brinquedos de última geração, que eu nem sabia que existia, outros pedem coisas tão simples. Um dia, uma menina me pediu uma caixa d'água e um espremedor de suco, porque ela gostava muito de tomar banho mas não tinha caixa d'água em casa... Isso não é pedido de criança, é necessidade", disse ele com lágrimas nos olhos, "Nós demos um jeito de dar a caixa d'água e o espremedor de suco para a menina". Contou que o trabalho é muito exaustivo, e já perdeu muitas ocasiões em que podia estar com a família reunida. Ele também sai de carro distribuindo presentes no final do ano.
 Umas crianças começaram a chegar perto, e para não atrapalhar o Noel, dei licença. Ele me ofereceu balas, mas eu disse: "Guarde para as crianças!"
 Esqueci de perguntar o nome dele, mas acho que se ele tivesse me dito, eu não colocaria por privacidade. Este foi, com certeza, o Papai Noel mais simpático que já conheci. Desejei á ele felicidade e muita saúde... Pois o emprego dele não é nada fácil e seguro.
 Será que esse emprego vale a pena?

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Príncipes e táxistas

Oi, pessoas!
Escrevo isso com uma só mão enquanto lambo os dedos da outra. Carne é uma delícia, mas não perco a esperança de me tornar vegetariana (Peraí! Eu escrevi isso mesmo?!). Estou exausta. Tive aula de teatro hoje (e um pouco de circo) e o moto táxi demorou 2:30 pra me buscar. Ah, esqueci de falar aqui que estou fazendo aula de teatro há mais de um mês- uma vez por semana. São 2 horas de aula (o resto que fiquei esperando foi bônus!).
Tava chovendo muito (graças a Deus, porque nos últimos dias estava fazendo 44 graus em Ribeirão Preto!) e minha mãe estava em uma consulta médica. Liguei pra ela e perguntei quando o moto táxi iria me buscar, ela disse que ele já tava indo e se chamava Brass, que era pra eu esperar na porta (a chuva já tinha diminuído). Eu fiquei lá no portão até que, uns 15 minutos depois, apareceu um homem jovem lindo de moto, com capa de chuva e estacionou bem na minha frente (eu achei um pouco estranho, poque nenhum moto táxi estaciona pra mim, eles param no meio da rua). Eu estava indo até ele quando percebi que ele só tinha um capacete- que ele estava usando-, então voltei ao portão com a maior vergonha do mundo, torcendo de todo coração que ele não tenha me visto- pois estava de costas. Depois ele começou a mexer no banco e eu pensei: "Espero que meu capacete esteja aí, mocinho!" E tinha de tudo, menos um capacete (nem sei se cabe...). Ele passou por mim disse "Oi" baixinho (eu virei a cara, de tanta vergonha) e entrou na Casa das Artes. Ai, que triste a vida... Pensei que aquele príncipe iria me levar até em casa, mas tudo que consegui dele foi um "Oi" abafado- talvez ele nem tenha dito nada, a chuva deve ter me dado essa ilusão.
Pouco tempo depois, o tal Brass apareceu (espero que ele nunca leia isso). Voltei debaixo de chuva pra casa. Mas, pelo menos, estou viva. Pensei que eu teria de passar a noite lá. (...) Com aquele príncipe.
Bom, chega de falar de príncipes e moto táxistas. Não quero nem pensar nos dois. Espero esquecer este dia terrível.
 Sinceramente estou cansada demais para acabar este post hoje. Terminarei amanhã. Espero não sonhar com príncipes e táxistas.

(...)

Nossa, gente! Eu tava procurando fotos de motoqueiros agora no Google e apareceram muitas fotos de acidentes de moto. Que coisa horrível. Num respeitam nem quem tá comendo carne... (Ai, tô quase vomitando...)

Vocês curtiram a minha obra, heim?! Sacaram tudo, né? ↑

Droga! Tô com aquela músiquinha do Tang na cabeça: "Preparou, Bebeu, Faaaz!"
Isso é o que a carne e a chuva fazem com você...

Enquanto isso no Facebook...
-//-

quinta-feira, 8 de março de 2012

Automutilação

Se você conhece alguém que pratica ou se você mesmo faz, leia oque tenho a dizer:

Não faça isso, pois depois você vai se arrepender!
Você é forte o bastante para reagir! Então reaja, porque depois você vai se arrepender.
Ficar se cortante não ajuda em nada.
Toda vez que você olhar para suas cicatrizes vai se lembrar do sofrimento e dos problemas que o levaram a fazer isso. Você sofrerá em dobro.
Não faça isso com seu corpo! Você não precisa disso!
Você não quer fazer isso!
Quem disse que automutilação é superação? Isso É um problema!Isso é sofrimento.
Isso não faz bem a ninguém, pelo contrário.
Tem gente que diz que faz isso para esquecer a dor, mas nem pensam na dor do arrependimento que sentirão depois.
Não irá melhorar nada se você fizer isso, os problemas continuaram ali. Você tem que reagir, levantar a cabeça e enfrentar os problemas. Pois assim, tudo ficará mais fácil de se resolver.